MULHERES

Juíza nega indenização à mulher que sofreu abuso no metrô de São Paulo

23/06/2016 10:34 BRT | Atualizado 23/06/2016 10:34 BRT
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Pacific Press via Getty Images
ROOSEVELT SQUARE, SAO PAULO, BRAZIL - 2014/07/01: A woman passes by riot policemans in the Anhangabaú metro station after a demonstration for the release of protesters who were arrested during previous demonstrations in Roosevelt Square, São Paulo, Brazil. The protest was in the form of debate, and had more police than protesters. At a certain moment the police clashed with protesters and fired tear gas, stun grenades and rubber bullets, and arrested five people, including two lawyers who accompanied the demonstration. Nevertheless, the protest ended peacefully. (Photo by Tiago Mazza Chiaravalloti/Pacific Press/LightRocket via Getty Images)

Mais um caso absurdo de culpabilização da vítima aconteceu em São Paulo na última semana. A juíza Tamara Tamara Hochgreb Matos, da Justiça de São Paulo, negou indenização por danos morais a uma passageira que sofreu abuso sexual dentro de um vagão do metrô em outubro do ano passado.

Na sentença, a juíza negou o pedido de R$ 788 mil de indenização porque, em sua opinião, a vítima não demonstrou desconfortou ou reagiu durante o abuso. Tamara Hochgreb Matos justificou a decisão assim:

"Ficou impassível e nada fez enquanto era tocada por terceiro, ocasionando a demora na intervenção dos seguranças, que estavam no próprio trem."

A juíza ainda disse que "se a autora tivesse expressado seu incômodo de forma inequívoca no início das agressões, os seguranças poderiam ter agido antes e evitado a situação."

O abuso sexual aconteceu no vagão do metrô na Estação Brás e foi presenciado pelos seguranças do metrô, que detiveram o homem e o encaminharam à Delpom (Delegacia de Polícia do Metropolitano). A passageira, de 31 anos, prestou depoimento no local.

Ao G1, a passageira, que não quis se identificar, disse que ficou sem reação na hora e se sentiu muito envergonhada.

"Como é que a gente vai fazer alguma coisa com o metrô lotado? Estava muito lotado. Tem câmera, tem vídeo que o metrô pode buscar. Eles vão ver que não tinha nem como a gente se mexer direito no metrô. Eu estava incomodada, me mexia o que eu podia", disse.

O metrô alegou que não é responsável pelo ocorrido porque o abuso foi cometido por outra pessoa. A mulher vai recorrer da decisão.

(Com informações da EBC)

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