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Paes nega que Olimpíada tenha quebrado o Rio e pede verba a Temer para cerimônias

21/06/2016 14:53 BRT | Atualizado 21/06/2016 14:53 BRT
Mario Tama via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JUNE 14: Rio de Janeiro's Mayor Eduardo Paes (L) speaks with Brazil's interim President Michel Temer (R) during Temer's first visit to the Olympic Park on June 14, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. The Rio 2016 Olympic Games commence August 5 amidst a political and economic crisis in the country along with the Zika virus outbreak. (Photo by Mario Tama/Getty Images)

O prefeito Eduardo Paes negou que a crise financeira no Estado do Rio de Janeiro tenha sido causada pelos gastos com os Jogos Olímpicos, como afirmam especialistas.

Segundo ele, a maior parte dos gastos, 93,5%, pela construção das instalações olímpicas partiu da prefeitura e não do orçamento do Estado. Ele ainda reclamou do baixo investimento do governo federal na Olimpíada.

Na semana passada, o presidente interino, Michel Temer, prometeu em encontro com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) que o governo federal colocaria dinheiro na Olimpíada, porque o Comitê Rio-2016, que tem orçamento privado, não está conseguindo fechar as contas para as cerimônias de abertura e encerramento.

Na última segunda-feira terça-feira, no entanto, o comitê informou que nenhum recurso federal havia entrado. Nesta terça, o prefeito do Rio afirmou que está tentando buscar patrocínios para fechar as contas das cerimônias. "Senão, vai sobrar para o Estado ou município. E quem você acha que terá que pagar?", observou.

Segundo Paes, as críticas à realização do evento são fruto de "preconceito ideológico". Em coletiva de imprensa para apresentar as finanças do município, ele rebateu, principalmente, as declarações do economista norte-americano Andrew Zimbalist, especialista em contas de grandes eventos esportivos, a quem Paes se refere como "sujeito". "Prefiro ver o Freixo (Marcelo Freixo, possível candidato à prefeitura do Rio pelo PSOL) a ver o Andrew nas páginas (dos jornais)", contestou.

Segundo o prefeito, os gastos da cidade do Rio exclusivamente com os Jogos Olímpicos, como com arenas esportivas, foi de R$ 732 milhões, de 2009 a 2015, o equivalente a 1% do orçamento de educação e saúde. A maior parte do orçamento público com o evento, R$ 7 bilhões, teria partido de parcerias com a iniciativa privada.

"O Rio não tem fortuna para fazer parque aquático. A prefeitura conseguiu fazer tanta coisa porque a gente recorreu ao setor privado", disse o prefeito, ressaltando que o endividamento do município caiu à metade durante o período de obra.

Paes agradeceu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente Dilma Rousseff pela parceria nos investimentos. Mas atribuiu à prefeitura, e não ao governo federal, os ganhos da cidade com as construções. "Registro minha gratidão pelo governo federal. Daí a achar que o governo federal está pagando a Olimpíada de 2016, não é bem assim", contestou, complementando que não há na afirmação uma crítica política a Lula e Dilma.

Já a ajuda financeira da União ao Estado do Rio, garantida pelo presidente interino, Michel Temer, foi elogiada por Paes. "Nada é mais justo do que o presidente Temer ajudar o Estado para vencer a crise. O Rio receberá os Jogos que não são só da cidade. O Brasil conquistou. Não fui sozinho a Copenhague (disputar ser a sede dos Jogos)", disse.

Mais segurança

Eduardo Paes lamentou nesta terça-feira o assalto a uma atleta paralímpica australiana na cidade, mas disse que a segurança será intensificada para os Jogos Olímpicos Rio 2016, que têm início em 5 de agosto.

Paes disse que o Rio será seguro durante o evento por conta de reforços que envolvem no total cerca de 85 mil policiais e soldados.

Mais cedo nesta terça-feira, o Comitê Olímpico Australiano pediu para o Rio aumentar a segurança após uma velejadora paralímpica e uma integrante de sua equipe serem assaltadas na cidade.

(Com informações da Estadão Conteúdo e Reuters)

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