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Onça exibida em cerimônia da tocha olímpica é sacrificada com um tiro de pistola em Manaus

21/06/2016 12:13 BRT | Atualizado 21/06/2016 12:13 BRT
Reprodução Secom

A onça-pintada chamada Juma foi morta na última segunda-feira (20) logo após participar da cerimônia de revezamento da tocha olímpica em Manaus, Amazônia.

O animal, que é ameaçado de extinção, era mascote do Comando Militar da Amazônia (CMA) do Exército brasileiro e foi morto com um tiro de pistola depois que fugiu dos instrutores, logo após o evento, no zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs).

Segundo o CMA, o animal foi morto porque se deslocou em direção a um dos militares que tentavam resgata-lo, mesmo depois de receber disparos de tranquilizantes.

"O animal, mesmo atingido, deslocou-se na direção de um militar que estava no local. Como procedimento de segurança, visando a proteger a integridade física do militar e da equipe de tratadores, foi realizado um tiro de pistola no animal, que veio a falecer.", disse o comando, em nota.

De acordo com a BBC Brasil, Juma havia sido acorrentada e apresentada ao público durante a cerimônia com outra onça, chamada Simba.

O Exército mantém várias onças e animais de outras espécies em cativeiro na Amazônia. Os felinos estão presentes em desfiles militares -- prática bem criticada por veterinários, biólogos e ativistas dos direitos dos animais.

"É muito lamentável e triste por que esses animais estão sendo expostos nisso. O Ibama não autorizou a participação de animais em eventos, isso é uma atribuição do Ipaam [Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas]", disse Mário Reis, superintendente do Ibama, ao site Amazona Real.

Procurado, o Ipaam informou que não autorizou a participação da onça Juma no evento da tocha olímpica.

Juma foi resgatada ainda filhote após sua mãe ter sido morte e cresceu no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). Em 2014, ela foi apresentada pelo centro em um documentário em Manaus da BBC Brasil.

O destino trágico de Juma levantou debate sobre a utilização de animais selvagens e em risco de extinção em eventos e como mascotes. A onça-pintada é uma dos animais silvestres mais ameaçados de extinção da Amazônia.

"Não é saudável nem recomendável submeter um animal a uma situação como essas, com barulho e muitas pessoas em volta", disse João Paulo Castro, biólogo com mestrado em comportamento animal pela Universidade de Brasília, à BBC. Para ele, Juma pode ter fugido após se estressar durante o evento.

O Cigs comunicou que abrirá um processo administrativo para apurar a morte de Juma.

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