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Oposição aposta em envolvimento de Temer na Lava Jato para pedir impeachment

17/06/2016 08:35 -03 | Atualizado 17/06/2016 08:35 -03
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian acting President Michel Temer gestures during the first ministers meeting at the Planalto Palace in Brasilia, on May 13, 2016. Temer kicks off his new administration Friday, seeking to resuscitate the economy and steer clear of the corruption scandal that helped bring down his predecessor. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Diante das revelações do delator Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, sobre o envolvimento do presidente em exercício, Michel Temer, em repasses de propina, a oposição articula para pedir o impeachment do peemedebista.

O líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), afirmou que o partido vai concluir até a próxima terça-feira um estudo jurídico para um novo pedido de afastamento do presidente interino. “Certamente vamos tomar alguma medida jurídica ou política sobre a incriminação do presidente porque ele está enrolado. O governo começou a entrar em colapso”, disse ao HuffPost Brasil.

Além das gravações de Machado, a legenda reuniu provas sobre o envolvimento de Temer com o esquema de corrupção investigado na Lava Jato, como as delações do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT), do lobista Júlio Camargo e a troca de mensagens com o empreiteiro Léo Pinheiro.

Em delação homologada na Justiça, o ex-diretor da Transpetro afirma que o peemedebista negociou com ele o repasse de R$ 1,5 milhão de propina para a campanha de Gabriel Chalita, então candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, em 2012. O presidente interino classificou a acusação de “leviana” e "criminosa".

Já Delcídio afirmou que Temer chancelou a indicação de dois ex-diretores da Petrobras condenados na Lava Jato: João Augusto Henriques, ex-diretor da BR Distribuidora, subsidiária da estatal, e Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. O peemedebista negou qualquer influência nas nomeações.

Delator do pagamento de propina ao presidente afastado da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Camargo disse, em delação, que o lobista Fernando Soares, o Baiano, era conhecido por representar o PMDB, o que incluiria, além de Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o então vice-presidente da República Michel Temer, que disse não conhecer o delator.

Dono da OAS, Léo Pinheiro teria trocado mensagens com Cunha que revelam que Temer teria recebido R$ 5 milhões da empreiteira. O presidente interino negou ter se beneficiado com o recebimento de qualquer recurso de origem ilícita.

Na avaliação do PT, PSOL e PTdoB, as acusações de Machado são as mais fortes. Porém se referem a 2012, o que poderia ser um entrave judicial para pedir o impeachment de Temer, uma vez que são fatos anteriores ao mandato atual.

O deputado Silvio Costa (PTdoB-PE) irá enviar um ofício para a Presidência para que o interino responda se esteve na Base Área, onde o ex-presidente da Transpetro teria gravado com conversa com o ex-presidente José Sarney em que fala do repasse de propina para Chalita. “Isso que Machado delatou é grave. É um aprofundamento da crise. Não tem como continuar”, disse o deputado.

Um núcleo jurídico de parlamentares do PT se reuniu na quarta-feira, após a divulgação de gravações de Machado, para avaliar como pedir o afastamento de Temer. “São provas robustas contra o PMDB e Temer. Caiu o terceiro ministro esta semana. O que vemos é que o governo Temer derreteu rapidamente”, afirmou o líder da legenda, deputado Afonso Florence (BA).

Pedaladas

Em outra linha de frente, a oposição avalia pressionar líderes e o presidente em exercício da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA) pela instauração da comissão do impeachment de Temer pendente. A acusação é de crime de responsabilidade pela edição de decretos suplementares.

Apesar de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello ter determinado em abril que a Câmara desse andamento ao pedido de afastamento, líderes da base não indicaram os integrantes para o colegiado, o que impediu o avanço. Em maio, o magistrado liberou a ação para julgamento no plenário da Corte.

O entrave é que o PT, apesar de ser a favor da comissão por ser uma determinação judicial, não acha que Temer deva cair por esse motivo, uma vez que é uma das acusações que motivaram o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

Resistência

A mobilização da oposição encontra resistência dentro da Câmara devido ao apoio da base aliada a Temer. Partidos como PSDB e DEM, integrantes do governo e também parlamentares citados por Machado têm minimizado as denúncias contra o interino.

Um dos principais articuladores do impeachment de Dilma, o deputado Darcísio Perondi não vê chances de avanço na ofensiva da oposição. “Não cresce. Não avança. É uma situação completamente diferente [de Dilma]. Hoje tem governo”, afirmou.

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