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Após pacotão de reajustes salariais a servidores, Câmara cria 14,5 mil cargos federais

03/06/2016 11:05 -03 | Atualizado 03/06/2016 11:05 -03
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian acting President Michel Temer gestures during the inauguration ceremony of the presidents of three Brazilian public banks and Petrobras at Planalto Palace in Brasilia, on June 1, 2016. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

A Câmara dos Deputados aprovou a criação de 14.419 cargos federais, de acordo com o Blog Painel, da Folha de S. Paulo.

A criação das vagas estava dentro de um dos projetos de lei que concediam aumento salarial a servidores de diversas categorias e passou despercebida até mesmo entre os deputados.

Na noite da última quarta-feira (1), a Câmara aprovou uma série de reajustes aos servidores do Poder Judiciário, dos ministros do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público da União, do procurador-Geral da República, do Poder Executivo, da Câmara, do Senado, do Tribunal de Contas da União, de defensores públicos da União, de servidores da área de Educação, servidores da DPU, de agências reguladoras, das Forças Armadas e de ex-territórios.

O reajuste médio concedido foi de 21,5%, divididos em quatro anos, com um impacto de ao menos R$ 56 bilhões nos cofres públicos até 2019, sem contar o chamado "efeito cascata".

Ontem, Michel Temer disse que o reajuste nos salários é "discreto" e uma ferramenta para "pacificar" a relação do governo com categorias dos servidores nos próximos anos.

"É um aumento desejado há muito tempo, um aumento discreto, que quase não cobre a inflação. É útil para o o governo e útil para os servidores. Sem dúvida levou em conta o cálculo político e o cálculo econômico. Precisamos de tranquilidade e paz para trabalhar", disse.

Contradição

A criação de quase 14,5 mil postos corresponde a quase quatro vezes mais cargos federais que Michel Temer prometeu cortar assim que assumiu a presidência de forma interina.

Em maio, ele havia pedido ao então ministro do Planejamento, Romero Jucá, o corte de 4.000 cargos de comissões e outras formas de contratação sem concurso, como forma de diminuir os gastos públicos.

"Cortes corresponderão ao dobro do que governo anterior disse que faria e não cumpriu", afirmou Jucá, na época, antes de deixar o cargo.

O projeto que prevê a criação das vagas ainda passará pelo Senado e, se for aprovado, será necessário realizar concursos para preencher os cargos.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (SP), disse que o Senado irá revisar a pauta bomba aprovada pelos parlamentares que criou mais de 14 mil cargos federais. Caso isso não ocorra, segundo ele, o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) irá vetar a proposta.

Rossi admitiu que a proposta não foi percebida pelos parlamentares e sequer foi detectada pela assessoria parlamentar antes de ser aprovada. "Esse proposta não tem justificativa, não foi discutida, será revisada no Senado ou, em última instância, o presidente Temer a vetará", disse o deputado após participar de um evento em Ribeirão Preto, em São Paulo.

(Com informações da Estadão Conteúdo)

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