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Apesar da pressão, ministro permanece no cargo para evitar desgaste entre Temer e Renan

30/05/2016 14:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian Vice President Michel Temer (R) speaks with Senate President Renan Calheiros during the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) national convention in Brasilia, on March 12, 2016. The PMDB convention will discuss if they continue supporting the government or if they will back the impeachment of President Dilma Rousseff in Congress. AFP PHOTO/EVARISTO SA / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Pego em uma conversa na qual aconselha o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a lidar com a Lava Jato, o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, criou mais uma crise para o governo do presidente em exercício Michel Temer. Apesar das críticas, Fabiano permanece no cargo.

Logo após o áudio do diálogo, gravado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, ter sido divulgado pelo Fantástico, da TV Globo, o ministro procurou Temer para se explicar. De acordo com o G1, o caso foi considerado "menos grave" que o do ministro afastado do Planejamento, Romero Jucá - que sugeriu um “pacto” para “estancar a sangria” da Lava Jato.

Embora o próprio presidente em exercício tenha minimizado o caso, aliados do peemedebista o aconselham a tirar o ministro o mais rápido do cargo.

De acordo com a Folha de S.Paulo, há avaliação de que é como se um membro do Judiciário estivesse trabalhando contra a Justiça, já que quando a conversa ocorreu Fabiano era integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A sugestão inicial era que o próprio Fabiano pedisse para sair.

Há ainda pressão dos servidores da antiga Controladoria-Geral da União, que foi anexada ao ministério. Além de protestar em frente ao órgão, os servidores prometem demissão em massa. Ex-ministro do governo da presidente Dilma Rousseff, Jaques Wagner criticou a composição do governo Temer.

No Congresso, parlamentares também pedem explicações.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o governo peemedebista acabou com a transparência para proteger a corrupção. "Não tem condições nenhuma de permanecer no cargo. O áudio mostra que ele atuava nas sombras”, disse à CBN.

Apesar das críticas, o presidente em exercício ainda não decidiu exonerar Fabiano. O ministro segue no cargo. Segundo a CBN, pesou em favor do ministro a proximidade com Renan Calheiros e o fato de o governo não querer desgaste com o Senado.

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