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Gilmar Mendes diz que não viu tentativa de barrar Lava Jato em ato de Jucá

24/05/2016 17:16 BRT | Atualizado 26/01/2017 22:32 BRST
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian Supreme Court President Gilmar Mendes speaks during the trial of Italian Cesare Battisti in Brasilia, on November 18, 2009. Brazil's Supreme Court is to resume on Wednesday its weighing of an extradition demand for an Italian ex-militant, with the outcome potentially creating a constitutional clash of powers. The court so far is evenly split on the case of whether to send Cesare Battisti, 54, back to Italy to serve a life sentence for murders committed in the 1970s. A vote by chief justice Gilmar Mendes is to break a 4-4 deadlock among his colleagues. The placards read 'To Extradite Cesare Is To Modernize The Inquisition'. AFP PHOTO/Evaristo SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta terça-feira, 24, que não entendeu a conversa entre o ex-ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado como uma tentativa de interferir na Operação Lava Jato. "Não vi isso. É uma conversa entre pessoas que têm alguma convivência e estão fazendo análise do cenário numa posição não muito confortável", afirmou.

O peemedebista deixou o cargo no governo do presidente em exercício Michel Temer nesta segunda-feira, 23, após virem à tona áudios em que ele sugere um pacto para deter as investigações. Tanto Jucá quanto Machado são alvos da Lava Jato, que apura o esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

Gilmar, no entanto, admitiu que causou "incômodo" o fato de Jucá ter dito que havia conversado com ministros do Supremo sobre o caso, mas afirmou não ter sido procurado pelo senador. "Sou uma pessoa que tem bom relacionamento com o Jucá desde o governo Fernando Henrique e ele nunca me procurou sobre isso. Parece que isso é o tom de conversa geral", disse.

O ministro defendeu ainda que as reiteradas menções que políticos fazem em relação a ter acesso a integrantes da Corte virou um "mantra", mas não condizem com a realidade. "Sempre vem essa história: já falei com os juízes ou coisa do tipo. Isso virou um mantra, um enredo que se repete", disse.

Para ele, não há por que a sociedade suspeitar do STF no que diz respeito à condução dos processos ligados à Lava Jato. "O Tribunal tem agido com muita tranquilidade, com muita seriedade, muita imparcialidade, a mim me parece que não há nada que possa mudar o curso (das investigações)."

Temer

Gilmar afirmou ainda não acreditar que a saída de Jucá do ministério do Planejamento vá prejudica o governo Temer, que iniciou há pouco mais de dez dias. "São problemas da realidade política, com os quais se tem que lidar. Da noite para o dia, às vezes por uma fala, por uma revelação, se encerra um mandato até exitoso", disse.

O ministro também defendeu que o caso de Jucá era diferente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi impedido de assumir a Casa Civil no governo da presidente Dilma Rousseff. Para Gilmar, que foi o responsável pela decisão no STF sobre o caso, a nomeação de Lula ficou caracterizada como obstrução de Justiça porque o ex-presidente teria sido nomeado para ganhar foro privilegiado e não ser mais investigado pelo juiz Sérgio Moro, da primeira instância em Curitiba.

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