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Cunha: 'não quero a extinção dos meus adversários que não seja pela disputa eleitoral'

19/05/2016 13:43 BRT | Atualizado 26/01/2017 22:31 BRST
EVARISTO SA via Getty Images
Eduardo Cunha President of the Lower House of the Congress gestures at the beginning of the session in Brasilia on April 15, 2016. Brazil's lower house of Congress opened debate Friday on impeachment of President Dilma Rousseff ahead of a vote this weekend that could seal her fate. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Durante sua defesa no Conselho de Ética, o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que enfrenta os adversários nas urnas.

"Eu não quero a extinção dos meus adversários que não seja pela disputa eleitoral", disse, sem se referir diretamente à presidente afastada Dilma Rousseff. O peemedebista aceitou o pedido de impeachment horas após o PT anunciar que votaria contra ele no colegiado.

Ele defendeu a legalidade no afastamento da petista e negou envolvimento em esquemas de corrupção com participação do PT. "Não é possível ter qualquer tipo de relação com o governo ao qual eu estava fazendo oposição ferrenha", disse. Ele voltou a dizer que sofre perseguição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

É a primeira vez que o parlamentar vai à Câmara após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, por unanimidade, o seu afastamento.

Defesa técnica

Cunha negou repetidamente ter contas no exterior e sugeriu que o colegiado entrevistasse uma de suas contas na Suíça. Ele rebateu todos os argumentos técnicos da acusação.

“Vossa excelência devia ter tido a oportunidade de ouvir o trust”, disse Cunha em resposta ao relator, Marcos Rogério (DEM-RO). O trust é um tipo de investimento ao qual o peemedebista é considerado beneficiário.

“Não há elementos de prova que seja titular, dono da conta, que possa movimentar a conta. Não escondi nada. O que efetivamente existe é um trust, ao qual o patrimônio não me pertence, não fui autorizado a movientar a conta, não tenho titularidade”, afirmou.

“Considerar isso como conta bancária igual a uma conta que qualquer um assina um cheque e saca o dinheiro é uma comparação absurda”, completou.

Réu por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. As contas foram comprovadas pelas investigações.

Cunha se recursou a responder a questionamentos sobre fatos como recebimento de propina, apontados por delatores da Lava Jato, o que foi criticado pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

“O trust não tem dono, não é conta, não é investimento. É uma benção. É uma expectativa divina. Esse dinheiro. nasce. Pena que não para todos brasileiros", emendou o deputado Sandro Alex (PSD-PR).

Mulher bonita

O deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS) ironizou a confiança de Cunha na administração do trus pelo banco suíço. “Se essa trust fosse uma mulher, ela deveira ser maravilhosa porque é tanta paixão cega a ponto e colocar tantos recuros e não ter curiosidade de saber o que foi feito com esses recursos”, disse.

“Efetivamente o trust não é uma mulher bonita porque ele foi criado pela Convenção de Haya”, rebateu o acusado.

Nulidade

Na avaliação de Cunha, o processo será anulado posteriormente porque há irregularidades. Ele entende que Marcos Rogério não poderia ser relator por ter se filiado ao DEM, partido do mesmo bloco do representado.

Também contesta a oitiva de testemunhas que relataram fatos que não estavam na representação original, como o recebimento de propina. Os questionamentos serão apresentados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após o fim do processo no Conselho.

O relator entrega o parecer pela cassação até 31 de maio. No colegiado, o texto precisa de maioria simples, no caso, 11 votos, para ser aprovado. Se aprovado no colegiado, o relatório vai para o Plenário, onde precisa de 257 votos para passar.

Se arquivado, o Conselho precisa votar um novo texto. Aliados de Cunha articulam um parecer alternativo com uma punição mais leve.

Impedimento

No início da sessão, o vice-presidente do Conselho, deputado Sandro Alex, negou quatro questões de ordem de aliados de Cunha que pediam o impedimento do presidente, deputado José Carlos Araújo (PR-BA). Alex considerou que os pedidos tem como objetivo “mudar o objeto da representação e de postergar a apreciação por este órgão”.

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