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Autoridades trabalham hipótese de atentado terrorista contra avião da Egyptair

19/05/2016 12:07 BRT | Atualizado 26/01/2017 22:31 BRST
KHALED DESOUKI via Getty Images
Relatives of passengers who were flying in an EgyptAir plane that vanished from radar en route from Paris to Cairo react as they wait outside a services hall at Cairo airport on May 19, 2016. The EgyptAir flight that vanished over the Mediterranean was carrying 30 Egyptian and 15 French passengers, as well as a Briton and a Canadian, the airline said. / AFP / KHALED DESOUKI (Photo credit should read KHALED DESOUKI/AFP/Getty Images)

Um atentado terrorista é a causa mais provável para explicar a queda do voo MS-804 da companhia aérea Egyptair, que desapareceu ao realizar o voo Paris-Cairo na madrugada desta quinta-feira.

A avaliação foi feita pelo ministro egípcio da Aviação Civil, Sherif Fathy, minutos após o governo da Grécia informar que destroços da aeronave Airbus A320 foram localizados ao sul da Ilha de Creta, no Mar Mediterrâneo.

Pela manhã, a Airbus, as autoridades aeronáuticas da Grécia e o presidente da França, François Hollande, confirmaram a perda do voo MS-804, que fazia a ligação entre Paris, na França, e Cairo, no Egito.

Um total de 66 pessoas, dos quais 56 passageiros, três seguranças e sete tripulantes, morreram na queda do aparelho, no início das águas territoriais egípcias. As circunstâncias da tragédia são desconhecidas, mas o governo francês desde o início aventou a possibilidade de ação terrorista.

Já o informe da Airbus, publicado na página da empresa, não arrisca uma análise. "A Airbus lamenta confirmar a perda do A320 da Egyptair, voo MS-804", diz a fabricante de aviões, que não entra em detalhes sobre as possíveis causas da queda.

Segundo a empresa, o aparelho, registrado sob o número de série MSN 2088, foi entregue à Egyptair em novembro de 2003 - portanto não antigo demais - e era comandado por uma tripulação que tinha 48 mil horas de voo. "Até aqui não temos mais informações. A Airbus está à disposição da agência de investigação francesa, o BEA, e das autoridades encarregadas da investigação para fornecer toda a assistência técnica necessária."

O desaparecimento dos radares aconteceu às 2h29, horário de Paris - 21h29 de Brasília -, supostamente próximo à ilha grega de Karpathos, mas já em águas territoriais egípcias.

O avião, que não tinha apresentado nenhum problema mecânico, elétrico ou eletrônico e sua última manutenção, trafegava a 37 mil pés de altitude e não emitiu um alerta de "mayday" ou advertências automáticas antes de se chocar contra as águas do Mediterrâneo. Balizas de localização, entretanto, indicaram a localização de parte dos destroços.

Além das autoridades egípcias, o governo grego também enviou dois aviões e helicópteros de busca à região, segundo o comandante da aviação civil grega, Constantin Litzerakos.

Entre os passageiros do avião, havia 30 egípcios e 15 franceses, além de dois iraquianos, e um britânico, um belga, um português, um canadense, um argelino, um saudita, um sudanês, um chadiano e um kuwaitiano.

Em função da tragédia, uma reunião ministerial de crise foi convocada pelo presidente da França, François Hollande, para discutir a hipótese de atentado terrorista.

Tanto a França, quanto o Egito, são alvos do grupo jihadista Estado Islâmico, e os dois países são parceiros políticos e militares na luta contra o extremismo muçulmano.

Em pronunciamento, Hollande não descartou a possibilidade. "Nenhuma hipótese está descartada, nenhuma está sendo privilegiada", disse, informando ter colocado à disposição das autoridades egípcias e gregas navios e equipamentos para auxiliar nas buscas. "Quando soubermos a verdade, teremos de tirar todas as conclusões. Que seja um acidente ou um atentado terrorista."

Guinadas repentinas e mergulho no ar

Segundo o Ministério da Defesa da Grécia, a aeronave perdeu 22 mil pés de altitude de forma brusca, após realizar duas manobras anormais: uma curva de 90º à esquerda, seguida de um movimento de 360º à direita, o que segundo o ministro Panos Kammenos indica que o aparelho estava fora de controle.

Kammenos afirmou que o avião fez "guinadas repentinas" e mergulhou no ar antes de desaparecer dos radares sobre o sul do Mediterrâneo.

"Às 3h39 da manhã o curso da aeronave era sul e sudeste de Kassos e Karpathos (ilhas)... imediatamente depois entrou no espaço aéreo do Cairo e fez guinadas e desceu como descrevo: 90 graus para a esquerda e 360 graus para a direita", disse o ministro em entrevista coletiva.

(Com informações da Estadão Conteúdo e Reuters)

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