NOTÍCIAS

Mesmo afastado, Eduardo Cunha ainda está mandando na Câmara

13/05/2016 23:47 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
EVARISTO SA via Getty Images
The president of the Brazilian Chamber of Deputies, Eduardo Cunha gestures during a meeting with party leaders at the National Congress in Brasilia on February 16, 2016. The Federal Supreme Court requested today the removal of Cunha as president of the Deputies Chamber. AFP PHOTO/EVARISTO SA / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Afastado da presidência da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nunca deixou de estar presente nas decisões que a Casa vem tomando nos últimos dias. Até na atitude do presidente interino Waldir Maranhão (PP-MA) de anular e revogar a anulação da votação que deu prosseguimento ao impeachment, Cunha teve seu papel.

Da residência oficial, ele articulou com aliados próximos a Maranhão uma maneira de fazer o parlamentar desistir da decisão. Ao mesmo tempo em que cuidou para divulgar uma nota condenando o ato, classificando-o como irresponsável.

Uma das estratégias para tirar Maranhão da presidência da Câmara veio de Eduardo Cunha. Em reunião com o deputado Arthur Lira (PP-AL), Cunha instruiu o aliado a pressionar Waldir Maranhão para pedir para sair ou expulsá-lo do partido. A expulsão, na avaliação imediata de Cunha, consequentemente tiraria o deputado do posto.

O problema, apontado por Lira, é que Cunha havia esquecido de uma regra que ele mesmo avalizou. Uma interpretação do peemedebista enquanto exercia a presidência permite que o cargo continue com o parlamentar.

Outra sugestão de Cunha foi pressionar o deputado a renunciar. Com a insistência de Maranhão em permanecer no comando da Casa, restou a Cunha costurar uma estratégia para mantê-lo como presidente em exercício e garantir seu cargo de presidente.

A insistência de Cunha em decidir o futuro de Maranhão também é uma estratégia de sobrevivência. Parlamentares que estiveram com o peemedebista nos últimos dias dizem que Cunha garante que volta para a Câmara.

Certeza

Apesar da decisão unânime do Supremo Tribunal Federal em afastá-lo, Eduardo Cunha está convicto de que retornará ao comando da Casa. Por isso, articula para que não declarem vacância da cadeira.

“Ele é contra a ideia de novas eleições. Tem certeza que regimentalmente não há brecha”, diz ao HuffPost Brasil o líder do PSD, Rogério Rosso, que almoçou com Cunha no dia seguinte ao afastamento do peemedebista.

Nos bastidores, os deputados comentam que a base de Cunha ainda é muito firme e forte na Casa.

“Vamos ter que esperar algumas semanas para ver se o poder dele vai diminuir. Ele continua mandando como se ainda presidisse a Casa. Ele dá palpite no que deve ir à pauta e em como os encaminhamentos devem ser feitos”, diz um integrante do Conselho de Ética da Câmara.

O temor de alguns parlamentares da tropa de choque de Cunha é que, de alguma forma, ele volte e haja retaliação aos que não o defenderam.

Também passou pelo crivo do parlamentar as indicações dos novos líderes de governo e do Congresso do governo Michel Temer. Tanto Jovair Arantes (PTB-GO), que relatou o impeachment na Câmara, quanto Rodrigo Maia (DEM-RJ), indicados para os cargos, são aliados de Cunha.

LEIA TAMBÉM:

- Esta é a maior crise política da história do Brasil?

- Em um tweet, Eduardo Cunha deixa seu recado final para Dilma

- Maranhão e Cunha: Heróis de duas faces de uma moeda chamada farsa política