MULHERES

Michel Temer será primeiro presidente desde a Ditadura Militar a não escolher mulheres para ministérios

12/05/2016 09:59 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian Vice President Michel Temer is pictured during a meeting at the Senate official residence in Brasilia, on April 27, 2016. Brazilian President Dilma Rousseff is fighting for her political survival at home following allegations that she used illegal accounting maneuvers to mask budget deficits during the 2014 election year. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O presidente interino, Michel Temer, prometeu anunciar seu ministério nesta quinta-feira. Se confirmar os nomes especulados, Temer começa o seu governo quebrando um recorde nada positivo.Ele será o primeiro presidente desde o governo Ernesto Geisel (1974-1979) a não contar com mulheres ministras.

Durante as últimas semanas, enquanto aguardava a votação do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff, Temer chegou a cogitar algumas mulheres na formação da sua equipe. Para a Controladoria-Geral da União, a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie chegou a ser convocada, mas ela negou o convite.

Com a aproximação do PSDB do governo Temer, Mara Gabrili chegou a ser cogitada para a pasta de Direitos Humanos. O nome, comemorado por especialistas, não foi para frente. Renata Abreu (PTN) foi a próxima da lista e teve o mesmo destino.

Segundo a Folha, pessoas próximas do novo presidente dizem que ele não demonstra restrições para mulheres nos ministérios e que, inclusive, Temer não desistiu de abrigar em uma pasta de destaque.

"É e será uma preocupação dele. Temer está muito atento a esta questão", disse o consultor político Gaudêncio Torquato, em entrevista à Folha.

Desde o governo João Figueiredo (1979-85), o Brasil contava com uma ministra mulher. Esther de Figueiredo foi a primeira delas, comandando a pasta de Educação.

Os governos petistas foram os que mais deram espaço para o gênero feminino. Com Lula (2003 a 2011), foram 11 mulheres.

Quando tomou posse em 2011, Dilma tomou uma oposição oposta a de Temer: deu posse a 10 mulheres ministras de 39 integrantes no total. Além de ter sido a primeira mulher a se tornar presidente da República, nomeou Gleisi Hoffman como ministra da Casa Civil; Miriam Belchior na pasta de Planejamento; Graça Foster como presidente da Petrobras; Ideli Salvatti nas pastas da Pesca, Relações Institucionais e, posteriormente, em Direitos Humanos; Helena Chagas na Secretaria de Comunicação; Tereza Campello em Desenvolvimento Social; Izabella Teixeira em Meio Ambiente; Luiza Bairros na Secretaria da Igualdade Racial; Marta Suplicy, ex-PT, como ministra da Cultura e Maria do Rosário como ministra dos Direitos Humanos.

Neste segundo mandato, o número foi reduzido: apenas seis assumiram o cargo em 2015.

No primeiro mandato, Fernando Henrique Cardoso (1995-1998) entregou apenas o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo para uma mulher: Dorothéa Werneck. No segundo mandato (1999-2002) foram três ministras em sua equipe: Anadyr de Mendonça Rodrigues (Controladoria-Geral da União), Cláudia Maria Costin (Secretaria de Estado de Administração e do Patrimônio) e Wanda Engel Aduan (Secretaria de Estado de Assistência Social).

Quando Itamar Franco (1992-1994), a única mulher a assumir de fato uma pasta foi Luiza Erundina, que comandou a Secretaria de Administração Federal por 5 meses após a saída de Osiris de Azevedo. Já Fernando Collor (1990-1992) escolheu 2 mulheres. No Ministério da Ação Social assumiu Margarida Maia Procópio, enquanto no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento esteve Zélia Cardoso de Mello.

Mas foi nos cinco anos de governo de José Sarney (1985-1990) que as mulheres tiveram a mais baixa representação. Apenas Dorothéa Fonseca atuou como interina no Ministério do Trabalho.