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06/05/2016 22:19 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Nesta comunidade texana, todos os moradores de rua têm casa e itens essenciais compartilhados

cnn money

Austin, capital do Texas, Estados Unidos registrou um aumento abrupto no número de moradores de rua este ano, mas uma abordagem inovadora pode inverter essa tendência.

O número de pessoas morando em abrigos públicos ou nas ruas cresceu 20% em relação a 2015. O total agora é de 2 197, segundo a cidade.

Para tentar mudar essa situação, uma organização não-governamental lançou um projeto de moradia inovador. Os sem-teto recebem casas muito simples; todo o resto é comunitário, segundo a CNN Money.

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Uma foto publicada por Mobile Loaves & Fishes (@mobileloaves) em


"Casas nunca vão resolver o problema dos moradores de rua, o que é necessário é o senso de comunidade", diz Alan Graham, CEO da Mobile Loaves and Fishes, à rádio KVUE. Graham tem experiência no setor imobiliário.

No projeto Community First!, as casas são essencialmente quartos. Os moradores compartilham cozinha, lavanderia e banheiros, segundo a CNN.

Há também um espaço para cachorros, um centro médico, jardins, animais de fazenda e um cinema a céu aberto. Os moradores têm de trabalhar para que a comunidade funcione direito.

A Mobile Loaves and Fishes, uma organização cristã (o nome significa "pães e peixes móveis", em referência ao milagre da multiplicação), defende a ideia da "casa primeiro" para acabar com o problema dos moradores de rua.

A ideia é que os sem-teto primeiro precisam ter uma casa antes de começar a cuidar da saúde e procurar um emprego.

A comunidade tem 140 microcasas e espera chegar a 250 no começo do ano que vem, segundo a KVUE.

O aluguel vai de 225 a 360 dólares por mês, e os moradores têm acesso a dois gerentes e a uma despensa de comida, diz a KVUE.

Podem se candidatar ao projeto pessoas consideradas cronicamente sem-teto, ou seja, que estão na rua há um ano ou mais ou passaram por mais de quatro situações de rua nos últimos três anos.

Cada morador é submetido a uma checagem de antecedentes e tem de respeitar as leis, além das regras da comunidade.

Embora a ONG seja cristã, pessoas de todas as religiões são bem-vindas, diz a organização.

Um dos moradores que se beneficiou do trabalho da organização é Bonnie, uma veterana cega e amputada que vivia há anos nas ruas de Austin.

Agora ela mora no Community First! e trabalha como jardineira e guia, segundo a ONG.

"[Quando cheguei] estava envergonhada, encharcada e suja, mas me ajudaram a me limpar, me deram roupas secas, me alimentara e rezaram comigo", diz Bonnie num comunicado. "Me trataram com dignidade."

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.