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'Estou sofrendo uma retaliação pelo processo de impeachment', diz Eduardo Cunha

05/05/2016 19:43 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
EVARISTO SA via Getty Images
The president of the Lower House, Eduardo Cunha, speaks to the press at the Lower House's official residence in Brasilia on May 5, 2016. Brazil's Supreme Court on Thursday suspended Eduardo Cunha, the powerful lawmaker at the centre of efforts to impeach President Dilma Rousseff, on grounds he tried to obstruct a probe into his alleged corruption. The speaker of Brazil's lower house of Congress is the architect of the impeachment drive expected to force Rousseff to step aside from office on Wednesday. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, afirmou que o seu afastamento do cargo de deputado e, consequentemente, da liderança da Casa, determinado nesta quinta-feira (5) pelo Supremo Tribunal Federal trata-se de uma retaliação por ele ter aprovado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"É claro que estou sofrendo e vou sofrer uma retaliação política pelo processo de impeachment. É obvio que eu enfrento a contestação do PT, que gosta de companhia no banco dos réus. (...) Mas isso vai acabar na quarta-feira que vem. Se for da vontade de Deus, vamos ter afastamento da presidente da República e consequentemente seu julgamento definitivo para que o Brasil possa se livrar dessa era do PT, dessa era que tanto mal fez ao nosso país", afirmou o parlamentar.

Cunha disse ainda que na próxima quarta-feira, data marcada para votação do impeachment de Dilma na comissão especial do Senado, ele poderá dizer "antes tarde do que nunca". A mesma frase foi usada mais cedo pela presidente ao comentar o afastamento do peemedebista da Câmara.

Para Cunha, a decisão do ministro Teori Zavascki, confirmada por unanimidade pelos outros 10 ministros do STF, foi uma "clara e nítida" intervenção do STF no legislativo. Ele classificou como "estranho" a decisão do relator ter demorado quase cinco meses e ter sido pautada no plenário no mesmo dia.

"Duvido que os dez outros ministro que não o relator tenham lido com detalhe o contraditório (apresentação da defesa), tenham tido essa oportunidade (..) porque todos os ministros acompanharam (o voto de Teori) na tese jurídica, de construção do dispositivo que poderia interpretar a Constituição para justificar o afastamento, mas nenhum deles entrou no mérito", afirmou.

Cunha voltou a dizer que não irá renunciar nem da Presidência da Câmara nem do mandato de deputado e que irá recorrer da decisão do Supremo. Ele reforçou ainda que não interferiu no Conselho de Ética.

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