NOTÍCIAS

Quênia queima 105 toneladas de marfim de elefante e quer banir comércio do produto

30/04/2016 18:38 BRT | Atualizado 27/01/2017 00:31 BRST
CARL DE SOUZA via Getty Images
A Kenya Wildlife Services (KWS) ranger stands guard around illegal stockpiles of burning elephant tusks, ivory figurines and rhinoceros horns at the Nairobi National Park on April 30, 2016. Kenyan President Uhuru Kenyatta set fire on April 30, 2016, to the world's biggest ivory bonfire, after demanding a total ban on trade in tusks and horns to end 'murderous' trafficking and prevent the extinction of elephants in the wild. / AFP / CARL DE SOUZA (Photo credit should read CARL DE SOUZA/AFP/Getty Images)

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, ateou fogo neste sábado (30) a 105 toneladas de marfim de elefantes e mais de uma tonelada de chifres de rinocerontes, em uma cerimônia realizada no Parque Nacional de Nairóbi. A estimativa é de que este tenha sido o maior volume de marfim já destruído.

A iniciativa é mais um esforço do Quênia para coibir o comércio internacional de marfim e produtos obtidos por meio da caça de animais ameaçados. No total, 11 pilhas de presas de marfim e uma de chifre de rinoceronte foram queimadas.

"Chegou a hora de assumirmos uma posição e a posição é clara. O Quênia está declarando que o marfim não tem valor para nós, a não ser se estiver em nossos elefantes", declarou Kenyatta.

As pilhas correspondem a mais de 8.000 elefantes e 343 rinocerontes abatidos, de acordo com o Serviço de Vida Selvagem do país. O valor estimado do material era de US$ 150 milhões.

Alguns críticos sugeriram que o marfim e os chifres deveriam ter sido vendidos e o dinheiro arrecadado poderia ter sido usado em projetos de desenvolvimento e de proteção ambiental no país. Mas Kenyatta rebateu dizendo que o Quênia quer mostrar que o marfim não deve ter nenhum valor comercial.

Alguns especialistas que acompanham o tema alertaram ainda que queimar as pilhas não será suficiente para impedir o abate de elefantes, pois grupos internacionais se aproveitam das fronteiras pouco vigiadas do país e da corrupção.

O Quênia pretende pressionar pelo banimento total do comércio de marfim no 17º encontro da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas, que será realizado na África do Sul ainda este ano.

Em 1970, a população de elefantes na África chegava a 1,3 milhão de animais. Hoje, são apenas 500 mil. Tanzânia, Gabão, Camarões, República Centro-Africana, Moçambique e República do Congo foram os países mais prejudicados pela caça de elefantes.