MULHERES

Com apostilas achadas no lixo, Antônia deixou de ser doméstica e se tornou juíza

28/04/2016 12:01 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
reprodução / facebook

Ela tinha 12 anos quando começou a trabalhar em um canavial no interior de Minas Gerais. Naquela época, Antônia Marina Faleiros sequer imaginava que um dia se tornaria juíza.

Alguns anos depois, a menina se mudou para Belo Horizonte em busca de uma vida melhor, mas encontrou ainda mais obstáculos: chegou a morar na rua, em um ponto de ônibus, por oito meses, e trabalhava como empregada doméstica.

Mas ela encontrou, no lixo, um novo rumo para sua vida. Antônia teve acesso a folhas de apostilas borradas de um mimeógrafo, referentes às aulas de um curso preparatório para concursos. Sem hesitar, começou a estudar o material, prestou a prova e foi aprovada em terceiro lugar em um concurso de Oficial de Justiça do Tribunal de Justiça de Minas.

"Gosto de contar essa história para reafirmar: a filha de uma dona de casa simples e de um trabalhador rural pode sim alcançar o que quer. Todos nós podemos", ela afirma em uma entrevista ao portal Jusbrasil.

Atualmente, a juíza de direito preocupa-se com os impactos de seu trabalho em Lauro de Freitas, na Bahia. Antônia é responsável por projetos sociais com crianças em situação de vulnerabilidade social.

A juíza também desenvolveu o projeto voltado para o resgate da cidadania dos carvoeiros e de seus familiares da cidade de Mucuri, na Bahia, que foi premiado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Antônia se relembra com orgulho de sua trajetória. Em entrevista à Gazeta Online, ela não destaca o apoio que teve da família.

"Sempre gostei de estudar. Fui alfabetizada pela minha mãe com 4, 5 anos e sempre fui adepta da leitura. Devo isso aos meus pais, especialmente minha mãe, que era uma pessoa que não tinha uma formação acadêmica apurada, que estudou até a quarta série primária, mas tinha muita curiosidade e vontade de adquirir conhecimento, além de ler muito. Era uma mãe muito exigente com o desempenho dos filhos. Ela sempre dizia uma frase que eu repito para os meus sobrinhos: quem tem a cama feita pode se contentar com o razoável. Quem não tem a cama feita, deve ser muito bom no que faz."

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