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Sem Dilma nem Temer: Senadores exigem novas eleições antes do impeachment da presidente

26/04/2016 01:14 BRT | Atualizado 27/01/2017 00:31 BRST
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EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian President Dilma Rousseff and her vice President Michel Temer attend the launching ceremony of the Logistics Investment Program (LIP), at the Planalto Palace in Brasilia, on June 9, 2015. Brazil announced a $64-billion infrastructure spending package on Tuesday, hoping to revive its flagging economy with investment in highways, railroads, ports and airports. AFP PHOTO/EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

No dia em que a pesquisa Ibope mostrou que 62% dos entrevistados acreditam que a melhor saída para a crise política é a convocação de novas eleições, o discurso pelo novo pleito ganhou força entre setores do Partido dos Trabalhadores e para um grupo de senadores que não se identificam como aliados nem defendem o impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

O senador João Capiberibe (PSB-AP) é um dos que acreditam que o impeachment só "interessa os dois grupos que estão se engalfinhando pelo poder, não interessa à sociedade”.

"O que interessa à sociedade – e a voz rouca da rua tem que influenciar este plenário –, o que interessa é a eleição. O povo, o Ibope vem de soltar uma pesquisa em que 62% da população brasileira quer uma nova eleição, porque sabe que nós não temos condições hoje de conduzir esse processo. E entre os jovens, o índice é de 70% dos jovens. Os jovens querem nova eleição. E nós temos que ir ao encontro da voz que vem das ruas.”

A ideia defendida por Capiberibe e outros senadores, como Cristovam Buarque (PPS-DF) e Lídice da Mata (PSB-BA), é convocar o novo pleito para outubro, quando ocorrem as eleições municipais.

Para isso, a Proposta de Emenda à Constituição que tramita para possibilitar as eleições teria que ser aprovada antes da conclusão do processo de impeachment.

Estratégia

O discuso dos senadores vai ao encontro da estratégia que o Partido dos Trabalhadores vem traçando para o momento em que a presidente Dilma for afastada do cargo.

Internamente, a legenda já dá como certo o afastamento da presidente no próximo dia 11, quando o plenário do Senado vota se o processo de impeachment deve ser levado adiante.

A partir deste momento, o vice Michel Temer assume o comando do País e os petistas planejam engrossar o coro, com o argumento de que esta seria uma "saída não golpista".

Há entre os integrantes da legenda o reconhecimento de que, mesmo que a presidente volte ao comando do País, a governabilidade que já era difícil se tornará “impossível”.

O discurso oficial, porém, ainda minimiza a defesa por novas eleições. Ao HuffPost Brasil, o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (AP), disse que a sigla vai defender o mandato da presidente até o último instante.

“Se formos derrotados aqui, uma coisa é certa: vamos para as ruas, vamos fazer uma oposição ferrenha. Claro que novas alternativas serão discutidas.”

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