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Dilma teve 'bom senso' ao não citar golpe em discurso na ONU, diz líder da oposição

22/04/2016 15:30 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Mike Segar / Reuters
Brazilian President Dilma Rousseff delivers her remarks during the signing ceremony on climate change held at the United Nations Headquarters in Manhattan, New York, U.S., April 22, 2016. REUTERS/Mike Segar

Em discurso feito durante a assinatura do acordo de Paris, na ONU, Dilma Rousseff foi sutil ao citar a crise política pela qual o Brasil está passando. Sem mencionar a palavra "golpe" a presidente que a sociedade brasileira soube vencer o autoritarismo e que saberá impedir retrocessos.

“Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade”

As palavras da presidente repercutiram no Senado Federal, onde tramita seu processo de impeachment.

Para o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), o discurso feito pela presidenta demonstra que ela teve “o bom senso de não enveredar por uma linha que noticiaram, que ela iria dar uma versão não correta [sobre o momento político do país] após ministros do STF terem mencionado que a fala de golpe seria uma afronta e uma agressão às instituições brasileiras. Acredito que caiu a ficha e o bom senso”, disse Caiado. “Isso só constrangeria todas as pessoas que participam de um evento destinado à assinatura de um acordo e de uma convenção relacionados ao meio ambiente”, acrescentou.

O senador Jorge Viana (PT-AC) classificou a fala como "elegante" e considerou que a referência ao momento político do país foi sutil. “Sobre a crise pela qual passa o Brasil, a presidenta foi elegante, foi uma grande estadista e fez uma sutil referência às dificuldades pela qual o Brasil passa, mas reafirmou aquilo que sempre um chefe de Estado deve fazer, que é a confiança na democracia brasileira, na força do povo brasileiro, e que o Brasil seguirá em frente fortalecendo sua democracia sem nenhum tipo de retrocesso”, disse.

Apesar de a presidente não ter falado em "golpe", momentos após o discurso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), divulgou uma nota na qual reitera críticas “à insistência” de Dilma em “classificar como golpe o legítimo processo de impeachment a ela imputado”. A nota foi divulgada também na versão em inglês, dirigida à imprensa estrangeira.

Segundo Cunha, não há “qualquer dúvida” de que a “tese de golpe e de que não há crime de responsabilidade [no processo de impeachment] não prospera” e que, portanto, as acusações direcionadas contra a presidenta “são gravíssimas e levaram o país ao caos econômico, sem contar que atentaram contra princípios constitucionais importantes”, diz a nota em meio a argumentações técnicas sobre os procedimentos adotados pela Câmara para aprovar a admissibilidade do impeachment.

Impeachment na Imprensa Internacional