MULHERES

Artista, feminista, ícone e... inspiração fashion. A influência de Frida Kahlo para a moda é enorme

22/04/2016 20:22 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
HULTON ARCHIVE/GETTY IMAGES/HPMG

frida kahlo

Existem muitas Frida Kahlos. Há a Frida popular, saudada no México como ícone nacional. Há a Frida artista, a Frida feminista, a Frida musa. Mas existe também uma Frida menos conhecida: aquela que é ícone e fonte de inspiração para o mundo da moda.

A influência da artista aparece nos trabalhos de estilistas e fotógrafos nos 60 anos passados desde sua morte. Agora a contribuição de Frida Kahlo para a moda finalmente foi documentada no livro Frida Kahlo: Fashion as the Art of Being (Frida Kahlo: a moda como a arte de ser), da jornalista Susana Martínez Vidal, ex-editora da edição espanhola da revista Elle.

Em março de 2013, pouco depois de Martínez Vidal ter se mudado para o México, ela visitou uma exposição dos objetos pessoais de Frida na Casa Azul, o Museu Frida Kahlo.

Foi essa experiência que desencadeou seu projeto. “Depois de ver aquela amostra fantástica, me lembrei de todas aquelas imagens de Frida nas passarelas e decidi que esse tema merecia ser tratado em profundidade”, disse Martínez Vidal ao HuffPost Espanha.

saia frida kahlo

Uma saia que pertenceu à célebre pintora mexicana Frida Kahlo, numa prévia da exposição “Smoke and Mirrors: Frida Kahlo’s dresses” (Fumaça e espelhos: os vestidos de Frida Kahlo) na Cidade do México, 21 de novembro de 2012.

Em um blog post que escreveu depois de visitar a mostra, Martínez Vidal disse que queria que algum dia surgisse um livro que captasse a extensão da influência de Frida sobre a moda.

Ela diz que seu próprio livro é “a realização desse sonho”. Nele, a jornalista procura explicar por que a artista mexicana ainda parece tão moderna no século 21. Martínez Vidal encontrou muitas pistas nas fotos, cartas, roupas e objetos íntimos que Kahlo deixou.

“As feministras trouxeram Frida de volta na década de 1970 e a converteram em seu baluarte intelectual”, diz Martínez Vidal. “Nos anos 1980, o mundo das artes, juntamente com Madonna, que fez lances altíssimos pelas pinturas de Frida, elevou os preços das obras dela.

E a década de 1990 a converteu em ícone gay. A moda é a última parte desta história e é o que definitivamente a levou a atravessar o limiar do novo século com força incomum.”

O livro inclui cerca de 150 ilustrações que detalham o estilo pessoal de Frida Kahlo e sua influência sobre o mundo da moda. Veja abaixo algumas dessas fotos, com comentários da autora do livro, Susana Martínez Vidal.

  • CORTESIA DE ASSOULINE/© BERNARD SILBERSTEIN, CORTESIA DE THROCKMORTON FINE ART, NEW YORK


    “Fiquei fascinada com o fato de que uma mestiça de indígena, que não era de um país do Primeiro Mundo, não trabalhava no show business (não era atriz, cantora ou dançarina), ter conseguido tornar-se uma das mulheres mais icônicas do século 20, ao lado de Marilyn Monroe, Jackie Kennedy e María Callas.”
  • CORTESIA DE ASSOULINE/ © PABLO AGUINACO


    “O que imortalizou Frida foi sua personalidade, sua vida, não apenas seu trabalho. Frida era comunista, mas também poderia ter feito parte da geração beat, da cultura punk ou do movimento hippie.

    Ela defendia uma luta contra as convicções e a homogeneidade do sistema. Sua mensagem não perde a atualidade porque foi um grito contra a opressão.”
  • CORTESIA DE ASSOULINE/© PABLO AGUINACO


    “Frida Kahlo foi mestre na arte de misturar um pouco de ousadia com muita autoestima. Frida entendia a moda como a arte de ser, e não apenas um elemento da aparência externa. Vem daí o título do livro.”
  • CORTESIA DE ASSOULINE/© GUILLERMO KAHLO


    “Para ela, era ótimo que as mulheres fossem marcantes, fortes e ambiciosas, não apenas belas.”
  • CORTESIA DE ASSOULINE/© BANCO DO MÉXICO, FUNDAÇÃO DOS MUSEUS DIEGO RIVERA & FRIDA KAHLO, MÉXICO


    “Hoje a moda e a arte coexistem.”
  • CORTESIA DE ASSOULINE/© BANCO DO MÉXICO, FUNDAÇÃO DOS MUSEUS DIEGO RIVERA & FRIDA KAHLO, MÉXICO


    “Frida entendia que a beleza vem do caráter. Em suas palavras: ‘Beleza e feiúra são uma miragem. Todos acabam vendo como somos por dentro.’”
  • CORTESIA DE ASSOULINE / © CLAUDIO RONCOLI


    “Blue Wings” (Asas azuis), trabalho de Claudio Roncoli que mostra as muitas faces de Frida Kahlo.
  • CORTESIA DE ASSOULINE/© CORINNE DALLE-ORE


    “Para uma comunista resistente, usar o perfume francês Shalimar e esmalte vermelho nas unhas era uma maneira visionária de conciliar duas coisas que, até aquele momento, pareciam irredutíveis: feminilidade e feminismo.”
  • CORTESIA DE ASSOULINE/© IRIS BROCH: ÉDITIONS JALOU, L’OFFICIEL 1998


    Um produto de moda da L’Officiel Magazine que recria o estilo de Frida Kahlo.
  • CORTESIA DE ASSOULINE/© IRIS BROCH: ÉDITIONS JALOU, L’OFFICIEL 1998


    “John Galliano, Dolce & Gabbana, Christian Lacroix, Kenzo, McQueen, Viktor e Rolf, Karl Lagerfeld, Moschino ... Todos trouxeram Frida de volta à vida. Claudia Schiffer, Salma Hayek, Laura Ponte, Nati Abascal, Milla Jovovich ... todas a encarnaram.”
  • CORTESIA DE ASSOULINE
    “Frida Kahlo era uma mulher forte e atraente que, perversamente, decidiu enfear-se em suas pinturas. Suas sobrancelhas, ‘como as asas de um beija-flor’, como dizia Rivera, destacavam seus traços pitorescos em uma única pincelada.

    As sobrancelhas eram escuras e fartas, mas fiquei chocada ao descobrir que ela também as pintava. Entre os pertences de Frida podemos ver o lápis preto da Revlon com que ela reforçava suas sobrancelhas e, ao mesmo tempo, sua imagem de ‘marca própria’. Ela foi pioneira na criação da ‘marca registrada individual’.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.