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Livros, bibliotecas e apoio à greve dos professores. O que querem os estudantes que ocupam 68 escolas públicas no Rio de Janeiro

20/04/2016 11:44 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

escolas ocupação

O Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, foi o primeiro a ser ocupado. Daquele 21 de março para cá, o número subiu bastante. Segundo a Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (Anel), já são 68 escolas ocupadas em 23 cidades fluminenses.

A inspiração é clara: o movimento iniciado nas escolas de São Paulo para barrar a reorganização escolar proposta pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), que fecharia 94 colégios paulistas e acabaria com a transferência de cerca de 311 mil estudantes.

As bandeiras são também bastante parecidas:

Os pedidos principais são por melhorias na estrutura das escolas e da qualidade do ensino. Falta de acesso aos laboratórios, de livros didáticos e bibliotecas que não existem ou não funcionam. Mas também reclamam de banheiros, bebedouros, cadeiras, mesas, salas de aula e até de bebedouros. As reclamações e os pedidos tomam as redes sociais.

Segundo o G1, outro problema que os alunos pedem solução é o transporte: a demora na emissão do RioCard (passe livre para os estudantes) e, por vezes, o impedimento de embarcar nos ônibus, mesmo de usando uniforme e comprovante de matrícula.



Os alunos, que passaram a realizar eles mesmos alguns dos serviços necessários às escolas, como pintura e pequenas manutenções, precisam de doações, como água mineral, material de higiene e alimentos. E eles apoiam os cerca de 20 mil professores que estão em greve desde o dia 2 de março.

A mudança foi tomada após 50 dias de greve na rede pública estadual e com o saldo de 68 escolas ocupadas pelos alunos. Com a antecipação das férias, os estudantes vão ter aulas durante as olimpíadas.

Como seus alunos, os professores também têm muito a reclamar do governo Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ).

Ao El País, o coordenador do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro, Marcelo Santana, afirma que um professor, com 16 horas semanais de carga horária, ganha por R$ 2,3 mil por mês líquidos. Os ganhos sobem para R$ 4,6 mil se acumular 40 horas por semana. Em assembleia nesta terça-feira, os professores deciram manter os braços cruzados.

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