NOTÍCIAS

Luiza Erundina sobre homenagem Bolsonaro na Câmara: 'Extrapolou qualquer limite'

19/04/2016 18:19 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/Facebook/Agência Brasil

Para a deputada federal Luiza Erundina (PSOL), o deputado Jair Bolsonaro "extrapolou qualquer limite" ao parabenizar o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e homenagear o General Ustra (torturador da ditadura militar) em seu voto a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, no último domingo (17).

Durante seu discurso na Câmara, Bolsonaro dedicou seu voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. "Perderam em 1964, perderam agora em 2016", disse Bolsonaro, em referência ao golpe militar. "Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, o meu voto é sim", defendeu o deputado.

Em sua página oficial no Facebook, Erundina disse que Bolsonaro foi longe demais ao dedicar seu voto a um dos mais fortes símbolos da ditadura. "Ele deu parabéns a Eduardo Cunha, disse que seus adversários perderam em 1964 e, por fim, elogiou os militares do golpe e dedicou o voto ao coronel 'Carlos Alberto Brilhante Ustra, o terror de Dilma'", escreveu.

No post, ela acrescentou:

"Dilma foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. Aos 22 anos.

Ela militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares.

Essas sessões de torturas foram realizadas no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) de São Paulo, e também em uma prisão da cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Ustra foi responsável pela morte de pelo menos 50 pessoas nos porões do DOI-CODI no período em que chefiou a instituição. Ele também chefiava o DOI-CODI quando a presidente Dilma foi presa e torturada."

Para a deputada e pré-candidata à prefeitura de São Paulo, "muitos brasileiros lutaram contra a ditadura e deram sua vida pela democracia ainda jovem" e que, se hoje é possível discutir e questionar um governo, também "devemos isso a pessoas que enfrentaram a ditadura."

"Ver uma fala como esta ser aplaudida no plenário da Câmara em um processo de impeachment conduzido por corruptos é emblemático. Não dá pra ter dúvidas quanto ao risco que corremos hoje."


A declaração e "homenagem" do deputado foi duramente criticada nas redes sociais. A Anistia Internacional Brasil, também nas redes, disse que a fala mostra um retrocesso aos direitos humanos, "a partir do elogio a torturadores e crimes cometidos no período militar".

Em paralelo a isso, uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha mostra que Jair Bolsonaro seria o candidato preferido à presidência da República da parcela mais rica do País.

Sim, o topo da pirâmide brasileira - os 5% com renda mensal superior a 10 salários mínimos - quer Bolsonaro presidente.

Já imaginou?

LEIA MAIS:

- Vídeo mostra que Eduardo Bolsonaro revida cuspe de Jean Wyllys

- O que acontece quando um deputado homenageia um torturador em rede nacional?