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Cerveró: Calheiros recebeu US$ 6 milhões da Petrobras. Estatal pagou dívidas de PT e PMDB

19/04/2016 09:20 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

lula petrobras

O ex-diretor Internacional da Petrobras e delator da Lava Jato Nestor Cerveró disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta segunda-feira, 18, que o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) recebeu propina de US$ 6 milhões por meio do lobista Jorge Luz, apontado como um dos operadores de propinas na Petrobrás, referentes a um contrato de afretamento do navio-sonda Petrobras 10.000.

"(Jorge Luz) foi o operador que pagou os US$ 6 milhões da propina da sonda Petrobrás 10.000, foi o encarregado de pagar ao senador Renan Calheiros", disse o delator ao ser questionado pela defesa de Salim Schahin sobre a atuação de Jorge Luz em relação às propinas recebidas por Cerveró. A propina teria sido repassada na época da contratação do navio-sonda, em 2006.

Neste momento da audiência, que envolveu acusações ainda sob investigação contra uma autoridade com prerrogativa de foro, o juiz Sérgio Moro interrompeu Cerveró e pediu para o delator comentar apenas o que tinha pertinência com a ação penal na qual ele depôs nesta tarde. O ex-diretor falou na ação em que é acusado de favorecer a Schahin na contratação para a operação de um navio-sonda da Petrobras como uma forma de quitar a dívida do partido com o banco Schahin.

Renan Calheiros é hoje o responsável por ditar o ritmo do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff após a Câmara aprovar a continuidade do procedimento. A acusação contra o senador na delação de Cerveró foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo em dezembro do ano passado e confirmada pelo delator nesta tarde em seu primeiro depoimento após fechar um acordo de delação premiada.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou as "as imputações".

Renan "reafirma que já prestou as declarações necessárias, mas está à disposição para quaisquer novos esclarecimentos".

Dívidas de campanhas de PT e PMDB pagas

O ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou à Justiça Federal nesta segunda-feira que foi pressionado pelo ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau a quitar uma dívida de campanha do PMDB, em 2006, de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões, antes de ficar responsável pelo direcionamento de um contrato para o Grupo Schahin para pagar outra dívida de campanhas do PT de R$ 50 milhões.

"Existe uma pendência de R$ 50 milhões decorrente da campanha na qual vocês tem que liquidar essa pendência e nós podemos então tratar da Schahin como contratada da operação dessa segunda sonda", afirmou Cerveró para o juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato em primeiro grau.

O contrato era para operação do navio-sonda Vitória 10000, pelo valor de US$ 1,6 bilhão que foi dirigido para a Schahin como forma de quitar um empréstimo de R$ 12 milhões tomado no Banco Schahin pelo pecuarista José Carlos Bumlai, em outubro de 2004. Segundo descobriu a Lava Jato, o amigo do ex-presidente Lula confessou ter feito a dívida - nunca quitada legalmente - em nome do PT.

"Foi depois da eleição, foi novembro de 2006. Eu fui pressionado pelo ministro Silas Rondeau, que era do PMDB, um dos líderes do PMDB e que vinha me cobrando uma ajuda... melhor dizendo, vinha pedindo que eu ajudasse a liquidar uma dívida de campanha que o PMDB tinha adquirido que era de 10 milhões a 15 milhões de reais", afirmou Cerveró.

Com informações Estadão Conteúdo

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