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18/04/2016 13:42 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Sem parar um minuto... PMDB quer agilidade no Senado para impeachment

EVARISTO SA via Getty Images
The president of the Brazilian Senate Renan Calheiros (R) speaks with the president of the Brazilian Chamber of Deputies Eduardo Cunha during the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) national convention in Brasilia, on March 12, 2016. The PMDB convention will discuss if they continue supporting the government or if they will back the impeachment of President Dilma Rousseff in Congress. AFP PHOTO/EVARISTO SA / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

No dia seguinte ao aval da Câmara dos Deputados para dar prosseguimento ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, o PMDB do vice-presidente Michel Temer e a oposição centram os esforços no Senado para agilizar o processo de afastamento da petista.

Responsável por autorizar o impeachment na Câmara, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entrega nesta segunda-feira ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) o parecer da admissibilidade. “Quanto mais tempo se levar para decidir no Senado, a situação vai piorar. É importante que esse processo tenha um desfecho com maior celeridade” disse Cunha ao final da sessão de ontem.

Cabe a Renan instalar a comissão que fará um parecer sobre a admissibilidade do caso. O texto é votado em plenário, onde precisa de maioria simples para passar (41 senadores). Se isso acontecer, Dilma é afastada temporariamente e o Senado tem até 180 dias para julgar o impedimento definitivo. Para isso, são necessários 54 votos.

Pelos prazos regimentais, o impedimento definitivo de Dilma poderia ser julgado só em setembro, mas aliados de Temer pressionam o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), para que o processo se encerre até junho. Isso porque o regimento do Senado apresenta alguns pontos ambíguos, de modo que o ritmo será determinado pelo alagoano.

Apesar de distante de Temer e de ter atuado a favor do Planalto nos últimos meses, a atuação de Renan será determinante no espaço em que pode ter em um eventual governo Temer permanente. Ficou a cargo do presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR), conversar com o presidente do Senado.

Personagens do Impeachment


A fim de evitar questionamentos jurídicos, Jucá descarta que o partido tenha papel de destaque na comissão que vai analisar o tema. "Eu defendo que o PMDB não relate essa matéria, porque o vice-presidente Michel Temer é um interessado direto no procedimento. A ideia é não criar nenhum tipo de questionamento ou judicialização no Supremo Tribunal Federal", afirmou.

A expectativa é que a presidência da comissão fique com o senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) e a relatoria coma senadora Ana Amélia (PP-RS). “O PSDB não deve ficar com a relatoria para não dar combustível a essa narrativa do PT de golpe”, afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), responsável pelo 342º voto pelo impeachment. Os tucanos também focam em fortalecer o processo no Senado, junto ao presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG).

Além das conversas no Senado, Temer continua nesses dias com a articulação na Câmara, a fim de fortalecer as pontes com deputados para pavimentar a aprovação de propostas caso assuma o comando do país permanentemente.

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