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No voto? Deputados contrários ao impeachment de Dilma Rousseff passam a falar em novas eleições

18/04/2016 11:29 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

dilma rousseff

Os deputados que votaram contra a abertura do processo de impeachment na Câmara neste domingo, começam a mudar o discurso. Se antes a tentativa era de falar em "golpe" e defender que "pedaladas" não é crime punível com o impeachment, agora a base do governo passa a falar em novas eleições.

A Câmara aprovou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff por 367 votos favoráveis. Eram necessários 342 votos necessários para autorizar o Senado a instaurar o procedimento de impedimento contra a petista.

“As pessoas estão tristes, muita gente chorando, mas a partir de amanhã, as ruas voltam a esquentar. Posso assegurar, se esse golpe se perpetrar, que a dupla Temer e Cunha não vai ter paz. São dois golpistas e são ilegítimos; ninguém vai assistir de braços cruzados a um golpe e vai ficar por isso mesmo”, disse o vice-líder do PT, deputado Wadih Damous (RJ).

Damous defendeu novas eleições, caso o processo seja aprovado no Senado. “O governo que vier a encabeçar aqui não tem representatividade nem legitimidade política e moral para governar o País”, afirmou.

No Facebook, Jean Wyllys já fala em #DiretasJá:

"Os dias que se seguem não serão fáceis. Não podemos aceitar um governo ilegítimo, nascido de um golpe contra a democracia e com um congresso que é um depositário de fascistas", escreveu Wyllys.


O líder do PCdoB, deputado Daniel Almeida (BA), segue a mesma linha. "Se Temer responder ao mesmo processo que levou à admissibilidade [do impeachment] da Dilma, não fica outra alternativa. É o momento de se pensar em novas eleições, em eleições gerais, não só presidencial, mas pensar em uma eleição geral nesse país para colocar as responsabilidades de novos rumos, de mudanças efetivas na mão do povo”, disse.

Para o líder do PDT, deputado Weverton Rocha (MA), o caminho das eleições é o único que pode "acalmar" e dar legitimidade ao governo.

“Precisamos de alguém eleito de forma legítima; não dá para achar que tirando um gestor ruim vai resolver colocando um pior. As eleições legitimariam um representante e acalmariam os demais, porque, pelo menos, quem perder não vai fazer como o PSDB”, disse.

“Hoje foi feita uma eleição indireta. É preciso ter muito cuidado. Queremos pedir ao povo que se desarme. Já basta o destemperamento e a falta de juízo desta Casa em fazer um movimento tão agressivo para a destituição de um representante eleito democraticamente, como foi o caso da presidente Dilma”, criticou Rocha.

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