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'Me sinto indignada e injustiçada', diz Dilma sobre impeachment na Câmara

18/04/2016 18:19 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Roberto Stuckert Filho/PR

Em resposta à decisão da Câmara dos Deputados de dar prosseguimento ao processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff disse que se sente injustiçada e indignada.

Ela ressaltou a revolta com o fato de, segundo ela, não ter cometido nenhum crime.

A presidente destacou que outros presidentes tomaram a mesma decisão — de pedaladas fiscais — e que, em nenhum momento, o ato foi praticado para enriquecimento pessoal.

Sem citar o nome do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ela afirmou que o processo contra ela foi aberto quando o governo não aceitou negociar votos em favor do peemedebista no Conselho de Ética para enterrar o processo que pode cassar o mandato do parlamentar.

Ainda sem citar o peemedebista, ela disse que não tem contas no exterior.

Cunha é acusado pelo Ministério Público Federal de ter pelo menos cinco contas não declaradas na Suíça.

O vice Michel Temer foi outro alvo de críticas de Dilma, sem ter sido nominalmente mencionado. Ela destacou que nenhum outro País aceitaria um 'traidor', alguém que faz 'conspirações' abertamente.

"É extremamente inusitado, estranho, mas sobretudo estarrecedor que um vice-presidente, no exercício do seu mandato conspire contra a presidente abertamente. Em nenhuma democracia no mundo, isso seria respeitado porque a sociedade humana ela não gosta de traidores. Ela não gosta porque cada um de nós sabe a injustiça e a dor que se sente quando se tem a traição."

Ela também fez uma comparação com o período da ditadura, ressaltando que lutou aquela vez e luta de novo pela democracia.

“Não vou me abater, não vou me deixar paralisar por isso. Vou continuar lutando. Vou lutar como fiz ao longo de toda minha vida. Comecei em uma época em que era muito difícil, uma ditadura aberta e escancarada. (…) De uma certa forma, estou tendo meus sonhos torturados. Agora, não vão matar em mim a esperança. (…) Ao contrário do que anunciaram, não começou o fim. Estamos no início da luta, esta luta será muito longa e demorada."

A mandatária prometeu que não deixará de lutar, que honrará os 54 milhões de votos que recebeu. "É apenas o início de um longo caminho."

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