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18/04/2016 18:25 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Marina Silva considera impeachment legal, apesar da atuação de Cunha

ASSOCIATED PRESS
REMOVES ANDRE PENNER BYLINE - Marina Silva, presidential candidate of the Brazilian Socialist Party, PSB, speaks at a press conference in Sao Paulo, Brazil, Sunday, Oct. 5, 2014. Official results showed Sunday that President Dilma Rousseff will face challenger Aecio Neves and not Marina Silva, in a second-round vote in Brazil's most unpredictable presidential election since the nation's return to democracy nearly three decades ago. (AP Photo/Nelson Antoine)

A presidente da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, defendeu a legalidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, apesar de o processo ter sido conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato.

“O processo foi tutelado pelo Supremo (Tribunal Federal). Quem deu a legitimidade para esse processo foi o Supremo, que criou todo o rito”, afirmou. Ela também defendeu que as pedaladas fiscais são motivo para o impedimento. “O impeachment não é golpe. Existe sim crime de responsabilidade”, completou.

Apesar de favorável ao impeachment, a presidente da Rede voltou a afirmar que a melhor saída para o Brasil é por meio da cassação da chapa de Dilma e do vice-presidente Michel Temer via Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda este ano.

"Com ou sem impeachment o melhor caminho é do TSE e é por esse que vamos trabalhar. Compreendemos que a saída para o Brasil não é nem Dilma, nem Temer. É uma nova eleição com a possibilidade inclusive de partidos se apresentarem para a sociedade brasileira”, afirmou sem detalhar se a Rede teria candidatura própria.

Para Marina, PT e o PMDB praticaram os mesmos crimes de corrupção juntos e novas eleições permitiriam que o povo julgasse os atos praticados. “A operação Lava Jato está fazendo o julgamento jurídico-criminal dos envolvidos com corrupção. Uma nova eleição fará o julgamento ético e político das lideranças”, disse.

Questionada do tempo que o TSE poder demorar para julgar as ações que pedem a cassação da chapa Dilma-Temer, Marina disse acreditar que o tribunal irá trabalhar com celeridade. Ele aposta que a crise política e econômica pressione os magistrados, além de apontar a juntada dos processos e o avanço de provas na Lava Jato como fatores para agilizar o julgamento.

Quanto à possibilidade de novas eleições via uma emenda à Constituição, Marina alertou sobre a preocupação quanto a legalidade. “Não se pode ter saída que possa parecer uma anistia para quem cometeu crime de corrupção dentro do governo”, disse. Ela disse ainda ser favorável ao parlamentarismo, mas este processo não pode ser “casuístico”.