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Deputados pronunciaram FAMÍLIA mais de 150 vezes no plenário e PEDALADAS 18 vezes

18/04/2016 20:52 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Igo Estrela via Getty Images
BRASILIA, BRAZIL - APRIL 17: Deputies of the Lower House of Congress vote on whether to impeach President Dilma Rousseff, April 17, 2016 in Brasilia, Brazil. The vote will decide whether to impeach Rousseff over charges of manipulating government accounts for political gains. (Photo by Igo Estrela/Getty Images)

No último domingo (17), grande parte dos brasileiros acompanhou a votação que definiu os próximos passos do rito do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A sessão na Câmara dos Deputados durou mais de 6 horas de votação em que foram acumulados 367 votos a favor do impeachment, 137 votos contrários ao impedimento, 7 abstenções e 2 ausências.

Para ser aprovado, o relatório do impeachment precisava, no mínimo, de 342 dos 513 deputados, ou dois terços do total. Agora, o processo segue para análise do Senado Federal.

Mas engana-se quem pensa que os crimes de responsabilidade fiscal, as chamadas "pedaladas", foram o assunto mais discutido da deliberação.

Ao analisar a íntegra do texto dos votos de todos os deputados, disponível no site da Câmara, o HuffPost Brasil contou apenas 18 citações dos termos "pedaladas".

Uma das mais recorrentes justificativas do dia foram as "famílias" dos parlamentares e de todo o País.

A palavra aparece citada mais de 150 vezes. Logo em seguida está o termo "golpe", com 140 aparições.

Outros termos também concorrem ao pódio. "Filho (as)" foi pronunciado, pelo menos, 120 vezes e "crime", 110. Já "Deus" aparece em seguida, com 75 citações.

A ausência de alguns termos também foi sentida. "Minorias" não foi uma palavra escolhida por nenhum parlamentar em sua justificativa de voto. "Empoderamento" aparece uma única vez, na fala da deputada Luiza Erundina (Psol-SP). "LGBT" foi citado 2 vezes. "Negro (as)" aparece 9.

A grande vencedora da noite, contudo, foi a palavra "democracia". Nos discursos, ela aparece 180 vezes.

Alguns exemplos de como votaram os parlamentares:

José Otávio Germano (PP-RS)

"Em homenagem à minha família, aos meus amigos, aos gaúchos e às gaúchas e, especialmente, ao povo de Cachoeira do Sul, o voto é sim."

Já Eduardo da Fonte (PP-PE)

"Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ao lado do meu filho Luiz Eduardo, que aqui está, em nome da minha família, eu gostaria de, primeiro, pedir a Deus que abençoe o Brasil. Eu vou passar a palavra ao meu filho, para que ele possa dizer ao Brasil o meu voto."

Marcelo Álvaro Antônio (PR-MG) voltou ao microfone só para homenagear o Paulo Henrique, por exemplo.

"Sr. Presidente, só para corrigir aqui uma situação. Eu quero mandar um abraço. Eu não mencionei o meu filho, Paulo Henrique. Paulo Henrique, é para você, meu filho. Um beijo."

Fábio Ramalho (PMDB-MG)

"Eu pedi a Deus que me desse sabedoria para votar com dignidade. Eu pedi a Deus que me iluminasse. E, neste momento, em nome de um Estado cujo outro nome é liberdade, Minas Gerais; em nome de milhares de mineiros que me pediram para votar a favor do impeachment; eu estou aqui para declarar o meu voto, em gratidão ao povo mineiro, à família mineira e, sobretudo, aos milhões de desempregados deste País. Eu voto sim por Minas Gerais e pelo Brasil."

Heráclito Fortes (PSB-PI)

"Sr. Presidente, quero deixar aqui o meu abraço à minha mulher Mariana; às minhas filhas Marianinha, Heloísa e Camila; aos meus netos Antônio e João; à minha neta que está por vir, Olímpia; à minha irmã Zélia; e à minha Tia Elzamir, com 96 anos. Esse pessoal sabe o que eu sofri nas mãos do PT de 2010 até agora. O voto que eu vou dar não é um voto de rancor, é o voto da lógica, é o voto do futuro do Brasil. O voto que eu vou dar é o voto que o Brasil está exigindo, é o voto em nome das ruas. Portanto, ele é sim."

Luiz Sérgio (PT-RJ)

"Sr. Presidente, primeiro, quero deixar registrado que nunca em minha vida, em um espaço tão curto, eu ouvi tantas vezes o nome de Deus ser usado em vão, como se fosse um panfleto. Em segundo lugar, em respeito ao voto popular, em respeito à democracia, eu voto não, Sr. Presidente. Golpe não!"

Jerônimo Goergen (PP-RS)

"Para que meu filho ou minha filha que vão chegar vivam num país de futuro, pelo Rio Grande e pelo Brasil, sim ao impeachment! "

Jean Willys (PSOL-RJ)

"Em primeiro lugar, eu quero dizer que eu estou constrangido de participar dessa farsa sexista, dessa eleição indireta, conduzida por um ladrão, urdida por um traidor, conspirador, apoiada por torturados, covardes, analfabetos políticos e vendidos. Em nome dos direitos da população LGBT, do povo negro exterminado nas periferias, dos trabalhadores da cultura, dos sem-teto, dos sem-terra, eu voto não ao golpe. E durmam com essa, canalhas!"

Missionário José Olimpo (DEM-SP)

"Sr. Presidente, eu quero, em primeiro lugar, agradecer a Deus, à minha família, aos meus amigos, à minha querida cidade de Itu, à região, ao Estado de São Paulo e ao Brasil. Voto "sim", Sr. Presidente! "

Luiza Erundina (PSOL-SP)

"Pelos que deram a vida pela democracia no Brasil e pelo empoderamento das mulheres, meu voto é não."

Eduardo Bolsonaro (PSC-SP)

"Pelo povo de São Paulo nas ruas, com o espírito dos revolucionários de 1932; em respeito aos 59 milhões de votos contra o Estatuto do Desarmamento, em 2005; pelos militares de 1964, hoje e sempre; pelas polícias e, em nome de Deus e da família brasileira, é sim. E Lula e Dilma na cadeia."

Paulo Pereira da Silva (PSD-SP)

"Eu queria pedir aos brasileiros que estão nas ruas ou que estão em casa que pudéssemos cantar aquela música, uma versão do Geraldo Vandré.

Dilma, vá embora que o Brasil não quer você.

E leve o Lula junto e os vagabundos do PT.

Dilma, vá embora que o Brasil não quer você.

E leve o Lula junto e os vagabundos do PT.

Dilma, vá embora que o Brasil não quer você.

E leve o Lula junto e os vagabundos do PT.

Dilma, vá embora que o Brasil não quer você.

E leve o Lula junto e os vagabundos do PT.

Fora, Dilma!"

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