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18/04/2016 21:27 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Alvo de ameaça, deputado diz não concordar com acordão do PMDB no impeachment

Facebook/reprodução

Aos 27 anos e no primeiro mandato como deputado federal, Aliel Machado (Rede-PR) ganhou destaque durante as discussões do impeachment da presidente Dilma Rousseff ao relatar ameaças do grupo favorável ao afastamento da petista. Na cidade dele, onde é pré-candidato à prefeitura, foram distribuídos panfletos contra ele com os dizeres "vergonha de Ponta Grossa".

Ele disse que chegou a ser procurado por correligionários de Michel Temer que teriam perguntado "do que ele precisava", além de ter recebido diversas mensagens raivosas no celular.

Integrante da comissão especial sobre o tema, Aliel não antecipou o voto, contrário ao impedimento. Apesar de defender novas eleições por meio da cassação da chapa de Dilma com Temer, processo pendente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o paranaense se manifestou contra o impeachment.

Ele não considera legítimo Temer assumir o comando do País com apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro.

Líder da Rede e ex-petista, o deputado Alessandro Molon (RJ) teve atuação determinante na decisão de Aliel. Os outros dois integrantes da bancada do partido na Câmara votaram a favor do impedimento.

O HuffPost Brasil conversou com o deputado. Leia os principais trechos a seguir:

HuffPost Brasil: O que foi determinante para o senhor formar sua opinião sobre o impeachment da presidente Dilma?

Aliel Machado: A linha sucessória. Primeiro que não há crime de responsabilidade. Se olhasse pelo lado político, de fato, o país passa por uma crise grave. É preciso uma liderança nova. Eu sou a favor do processo do TSE. Eu acho que tem muitas notícias graves de que houve beneficiamento da chapa com dinheiro ilícito. Mas aí tem que cassar Temer e Dilma. Não só Dilma. E “impeachmar” a Dilma por um processo que não tem lógica para dar pro Temer e Cunha é na verdade um grande acordão e eu não posso concordar.

Por que o senhor demorou a declarar o voto na comissão do impeachment?

Recebi o relatório apenas na quarta à noite. Viajei para o estado. Já tinha notícias de que o relatório tinha suas fragilidades, mas eu não tinha visto a produção do relatório com mais de 200 páginas. Eu recebi na quarta-feira à noite, viajei para o estado do Paraná e só tive condições de fazer a análise até domingo. Por isso que esperei.

O senhor conversou com a presidente da Rede, Marina Silva, neste período?

Nós conversamos com o partido, que a Rede não é Marina Silva. O partido tomou posição pelo impeachment, mas liberou seus parlamentares, tanto que teve dois a favor e dois contra.

Qual foi o papel do líder da Rede na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ) para o senhor se decidir?

Muito importante. O Molon é professor de direito constitucional na Universidade do Rio de Janeiro. É uma pessoa que não é do governo e tem extrema coerência e sensibilidade. Ele me ajudou a entender esse processo. Eu ajudei ele também e é uma pessoa muito honesta.

Como fica a carreira do senhor daqui pra frente?

Eu estou com o coração tranquilo. Tenho certeza de que fiz o que achava que era certo. Eu já não fiz política por tradição. Não tem ninguém da minha família que é político. Se agora eu mudasse por conveniência eu estaria me traindo. Pra frente é para frente.

O senhor recebeu algum tipo de oferta do lado contra ou do lado a favor do impeachment da presidente? Ou alguma pressão?

Participei das conversas com o pessoal do PMDB... O pessoal falou que eu não iria me reeleger na minha cidade, não me senti pressionado porque eu não tenho medo dessa corja.

Um eventual governo Temer permanente terá dificuldades na Câmara?

Será extremamente difícil porque é ilegítimo esse governo. Nós temos que defender uma nova eleição. Fica muito difícil porque você vai criar uma resistência muito grande. Todas as propostas que vierem desse governo são ilegítimas porque não foram aprovadas pelo crivo das urnas. A instabilidade vai continuar.

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