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17/04/2016 15:12 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Relator do impeachment pede votos contra Dilma: 'Vamos reescrever a História'

Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

Relator do parecer que dá prosseguimento ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) subiu à tribuna da Câmara dos Deputados para defender seu texto e pedir voto aos colegas.

“Vamos fazer a História, decidir o que queremos para o futuro deste País. A situação é grave, não adianta só tirar e virar a página desta História, é hora de reescrevê-la em busca de um novo tempo.”

O deputado também rebateu as críticas, disse que a opção por levar o processo adiante não foi uma escolha aleatória, sem base legal.

“Há fatos gravíssimo. (…) Não se pode tudo apenas porque foi eleito pelo voto popular. 54 milhões de votos não autorizam o descumprimento da Constituição, não autorizam a prática de atos que atentam contra as finanças públicas, não permitem que a presidente da República massacre a situação econômica do País.”

Em um discurso caloroso, interrompido por protestos dos parlamentares, Jovair acrescentou ainda que o impeachment “não é de agora”.

No apelo aos colegas, Jovair voltou a citar o médium espírita Chico Xavier: "Como diz Chico Xavier, 'ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim'."

Tom político

Apesar de o parecer se restringir a acusações técnicas - crime de responsabilidade pela edição de decretos suplementares e pelas pedaladas fiscais em 2015, espécie de atraso de repasses da União para bancos públicos - o tom político tem crescido desde a apresentação do relatório de Jovair.

Ele mesmo admite a disputa política. “Claro que numa disputa de poder tem que ser feito isso, a presença dele é importante", afirmou no sábado em referência ao vice-presidente Michel Temer ter volta à Brasília para acompanhar a votação.

Horas após a frase, Jovair assinou notícia-crime entrege à Polícia Federal junto com a oposição contra Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto acusa os dois pela suposta prática de ao menos 11 crimes, como corrupção, tráfico de influência, crime de responsabilidade, entre outros, além de improbidade administrativa, a fim de evitar votos pelo impeachment.

O relatório de Jovair foi aprovado pela comissão especial em 11 de abril por 38 votos a 27. No plenário, são necessário 342 para que o processo siga para o Senado.

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