NOTÍCIAS

Impeachment Aprovado: Câmara dos Deputados aprova impeachment de Dilma Rousseff

17/04/2016 23:07 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reuters

Em um dia histórico para a democracia brasileira, a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment da presidente Dilma Rousseff neste domingo, 17 de abril.

Com 367 votos favoráveis, o impedimento da petista avança em uma derrota significativa para Dilma, para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para o Partido dos Trabalhadores, há quase 14 anos no poder.

Dilma Rousseff é a segunda presidente brasileira a sofrer um processo de impeachment — 24 anos depois do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello.

Foram 43 horas de debate entre deputados e lideranças de bancadas que precederam a sessão de votação decisiva.

O estado que decidiu a votação foi Pernambuco, no Nordeste, região onde Dilma sempre teve bastante apoio. O voto de minerva foi do deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), ex-líder da minoria na Câmara.

A presidente é acusada de crime de responsabilidade por ter efetuado pedaladas fiscais em 2015 e por ter editado decretos de crédito suplementar ao orçamento do ano passado sem ter a autorização do Congresso.

As intensas negociações de votos e até cargos nos últimos dias, lideradas por Lula em seu quartel-general montado num hotel de luxo de Brasília, não foram suficientes para que o governo conseguisse reverter a tendência pró-impedimento da presidente.

Os partidos que desembarcaram da base governista na última semana — PP e PSD — ajudaram a oposição a obter mais que os 342 votos necessários contra Dilma.

Nem o movimento dos governadores do Nordeste, na tentativa de persuadir as bancadas estaduais a votar contra o impeachment, rendeu o efeito desejado.

O outro bunker político, improvisado no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer, exerceu maior atração entre os parlamentares, que se uniram contra a petista.

Temer também prometeu aos aliados, que fecharam questão em apoiar o impeachment, espaço em um eventual governo de coalização chefiado por ele.

Próximos passos

Com o fim da tramitação do impeachment na Câmara, o processo segue para o Senado.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), adiantou que vai protocolar o resultado dessa votação no Senado nesta segunda-feira (18).

Lá, da mesma forma que na Câmara, será instalada uma comissão para avaliar se o processo deve ser admitido.

São necessárias dez sessões para os senadores apresentarem um relatório sobre o impedimento e votarem.

Após esse prazo, o Senado vai julgar em plenário se instaura o processo de impeachment.

Se a maioria simples — 41 dos 81 senadores — votar pela instauração, a presidente Dilma Rousseff será afastada do Palácio do Planalto por 180 dias.

Segundo cálculos da oposição, essa votação igualmente importante será por volta de 11 de maio.

Na hipótese de o impeachment passar pela primeira votação no Senado, Michel Temer assume a Presidência e passa a encabeçar um governo de transição.

Ao longo desses seis meses, os senadores decidirão se cassam ou não o mandato de Dilma.

Para o impeachment definitivo, são necessários 2/3 da Casa, ou seja, 54 votos.

LEIA MAIS:

- Bancada Evangélica aposta em governo Temer para avançar em pautas conservadoras

- New York Times critica hipocrisia de líderes pró-impeachment de Dilma: 'acusados de corrupção, fraude e abusos'

Ato final contra o impeachment