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Dilma: ‘A denúncia contra mim no Congresso Nacional não passa da maior fraude jurídica e política da história do nosso país'

16/04/2016 10:19 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/PT

Em discurso veiculado pela internet na noite de sexta-feira (15), a presidente Dilma Rousseff questionou com veemência o processo de impeachment pelo qual ela passa e o chamou de “a maior fraude jurídica e política da história do nosso país”.

“Não há razão para o pedido de impeachment contra mim. Acusam-me sem nenhuma base legal. Não cometi crime de responsabilidade, não há contra mim qualquer denúncia de corrupção ou desvio de dinheiro público. Jamais impedi investigação contra quem quer que fosse. Meu nome não está em nenhuma lista de propina, tampouco sou suspeita de qualquer delito contra o bem comum. A denúncia contra mim em análise no Congresso Nacional não passa de uma fraude, a maior fraude jurídica e política da história do nosso país. Sem ela, o impeachment sequer seria votado.”

Segundo a presidente, “o Brasil e a democracia não merecem tamanha farsa”. No próximo domingo (17), a Câmara dos Deputados irá decidir a aprovação da continuidade do processo de impeachment, que tem como base a acusação de que ela praticou crime de responsabilidade fiscal ao fazer 'pedaladas fiscais' durante sua gestão.

No pronunciamento, Dilma chamou os articuladores do impeachment de “golpistas” e “traidores” e disse que o está em jogo não é apenas o seu mandato, que pretende “defender e honrar até o último dia, conforme estabelecido na Constituição”.

“O que está em jogo é o respeito à vontade soberana do povo brasileiro, o respeito às urnas. O que está em jogo são as conquistas sociais e o respeito aos brasileiros.”

A presidente falou que o impeachment parte de quem não aceitou a vitória dela nas urnas.

“Desde que fui eleita, parte da oposição, inconformada, pediu a recontagem dos votos, tentou anular as eleições e passou a conspirar pelo impeachment. Os derrotados mergulharam o país num estado permanente de instabilidade política, impedindo a recuperação da economia com o único objetivo de tomar à força o que não conquistaram nas urnas.”

“Para alcançar seus objetivos, estão dispostos a violentar a democracia e a rasgar a Constituição Federal, espalhando intolerância, ódio e violência entre nós. Estão dispostos a humilhar o Brasil perante a comunidade internacional, como se fôssemos uma republiqueta qualquer e não uma das maiores democracias do mundo.”

Dilma também fez um apelo à população quanto às informações disseminadas e o futuro de projetos sociais da gestão do PT no governo federal.

“Peço a todos os brasileiros que não se deixem enganar. Vejam quem está liderando este processo e o que propõem para o futuro do Brasil. Os golpistas já disseram que, se conseguirem usurpar o poder, será necessário impor sacrifícios à população brasileira. Com que legitimidade? Querem revogar direitos e cortar programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Ameaçam até a educação pública. Querem abrir mão da soberania nacional, mudar o regime de partilha, e entregar os recursos do pré-sal às multinacionais estrangeiras.”

Diferentemente do impeachment que destituiu Fernando Collor de Mello, em 1992, se a Câmara decidir pelo impeachment, Dilma não será afastada imediatamente. Caberá ao Senado a decisão, conforme mudança feita pelo Supremo Tribunal Federal.

O pronunciamento seria feito na televisão e no rádio, mas o Palácio do Planalto decidiu cancelar a exibição nas emissoras depois que o PSDB e o partido Solidariedade entraram com pedidos na Justiça para impedir a veiculação do vídeo, alegando desvio de finalidade no uso da prerrogativa presidencial de convocar a rede.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que a equipe de Dilma preferiu a internet por maior alcance da mensagem. O pronunciamento foi divulgado nos perfis de Dilma e do PT no Facebook e no Twitter, veiculado no aplicativo WattsApp, e publicado também na conta do PT no Youtube.

Assista ao pronunciamento:

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