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Os últimos movimentos de Lula e Dilma para sepultar o impeachment na Câmara

15/04/2016 01:02 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Lula Marques/ Agência PT

Na véspera da votação no plenário da Câmara, o governo usa diversas estratégias para impedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Da noite de quinta-feira até domingo, a petista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deputados pró-governo se empenham em conversas para evitar os 342 votos contra o Planalto.

Lula continua com a articulação em Brasília em conversas com políticos de partidos que deixaram a base ou estão rachados. Uma deputada do PT, próxima ao ex-presidente, disse ao HuffPost Brasil que ele vem prometendo a participação de ex-aliados em uma eventual continuidade do governo Dilma.

O nome do ex-presidente inspira mais confiança do que o de Dilma, devido à dificuldade da presidente em dialogar. “Até pouco tempo ela se gabava de não ter pedido voto para nenhum deputado”, disse a parlamentar.

De acordo com ela, está em jogo ainda a publicação de nomeações em cargos de diversos órgãos para segurar votos do chamado baixo clero — deputados com pouca influência política individual dentro da Casa. “Um governo menor significa menos para dividir”, lembra a deputada em referência à debandada de partidos da base.

Para ela, certos mesmo são 200 votos contra o governo e 120 a favor. Na contagem divulgada na noite de quinta-feira pela oposição, 361 seriam a favor do impeachment, 128 contra e 24 indecisos.

Em entrevista ao HuffPost, o ministro Celso Pansera, que deixou a pasta de Ciência e Tecnologia para voltar ao cargo de deputado federal e votar contra o impedimento, afirmou que deputados pró-governo farão diverSas reuniões até domingo a fim de convencer os indecisos ou tentar reverter votos. “Hoje a maioria dos partidos tem integrantes contra o impeachment”, disse, confiante.

A aproximação de Dilma

Em uma tentativa de se aproximar desses deputados que podem ajudar a deixar o jogo favorável para o Planalto, a presidente tomou café da manhã nesta quinta-feira com integrantes da comissão do impeachment que votaram a favor do governo.

Um dos presentes, o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) disse ao HuffPost Brasil que tem conversado com deputados de diversos partidos para votar contra o afastamento. “Ela não cometeu crime. Não é ladra”, argumentou.

O líder do PHS, deputado Givaldo Carimbão (AL), também presente no café, não conseguiu convencer a bancada. Os outros seis deputados são pró-impeachment.

Ele aponta que a presidente falhou no diálogo com o Congresso. “Tinha que ter começado as conversas antes.”

A influência dos governadores

O governo aposta ainda em fatores regionais para conquistar uma vitória no domingo.

Governadores têm conversado com deputados sobre as consequências de uma eventual gestão do PMDB.

Eles têm apontado que a troca de Dilma pelo vice-presidente Michel Temer pode prejudicar alianças regionais, uma vez que os governos atuais foram pensados com o PT no comando do País.

O governador do Piauí, Wellington Dias, está em Brasília esta semana em busca de votos pró-governo.

A secretária de educação do estado, Rejane Dias, foi exonerada para retomar o mandato de deputada federal e votar contra o impeachment.

Outros governadores da região Nordeste, de estados como Maranhão, Paraíba e Bahia, também tentam angariar votos a favor do governo.

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