MULHERES
15/04/2016 16:30 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Alunas da USP ocupam o CRUSP em protesto contra as agressões e estupros de mulheres dentro da Universidade

Alunas da USP ocupam o edifício da Superintendência de Assistência Social (SAS) da Universidade desde a última quarta (6), em protesto contra os casos de violência e abusos sofridos por mulheres -- estudantes e funcionárias -- dentro da Cidade Universitária.

agressao

A ocupação ocorreu após a a Rede Não Cala USP -- página do Facebook feita por professoras e pesquisadoras que querem o fim da violência sexual e de gênero --, publicar no mesmo dia 6, uma denúncia de espancamento de uma estudante, moradora do CRUSP, por seu companheiro e com apoio de seu cunhado e de todos os moradores do bloco G, no 3º andar do prédio.

O fato ocorreu na noite do dia 4 de abril, trata-se de um crime previsto na legislação vigente (a chamada lei Maria da Penha) e viola fortemente o regimento da Universidade e as normas da moradia. Um dos agressores já tem 3 boletins de ocorrência contra ele: um B.O por calúnia e difamação, um por ameaça, um por agressão, e o BO lavrado ontem, dia 5, será o segundo por agressão. Conforme os relatos, os moradores acorreram para socorrer a vítima, e a segurança teria protegido os agressores, possibilitando que estes voltassem ao CRUSP e a agredida tivesse que abandonar sua casa e seus pertences.

Após mais de uma semana de ocupação, as alunas fizeram um vídeo para a revista AzMina nesta quinta (14).

Com suas identidades preservadas por panos ou máscara, elas compartilham histórias de abusos e estupros que ocorrem tanto em festas quando dentro da moradia da USP.

A intenção é mostrar que não é um caso pontual e que elas estão cansadas de não se sentirem seguras dentro do lugar que estudam ou moram.

vídeo


A revista AzMina ainda entrou em contato com assessoria da USP sobre o crescente número de abusos no CRUSP e sobre a denúncia de omissão de responsabilidade da Universidade para com todos os casos de violência contra a mulher, mas não obteve resposta.

A Universidade de São Paulo disse apenas que está investigando a violência ocorrida no último dia 6.

"A Reitoria repudia enfaticamente a grave agressão e esclarece que está tomando todas as providências cabíveis no âmbito administrativo. Foi instaurada sindicância para apurar os fatos e a Comissão de Direitos Humanos da Universidade e o SOS Mulher da SAS estão acompanhando o caso. Deve-se ressaltar, contudo, que nosso sistema jurídico não permite a aplicação de penalidades drásticas, como o desligamento de alunos, de forma sumária, como vem sendo pleiteado pelos invasores da sede da SAS. O direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive no âmbito da Administração Pública, é uma conquista democrática de nossa sociedade, que não pode ser desprezada, nem mesmo diante da ocorrência de fatos graves como os aqui relatados. Dessa forma, caso, após o devido processo legal, sejam confirmados os fatos e a sua autoria, as punições cabíveis serão aplicadas pela Universidade.”

Denúncias sobre estupros e violências contra mulheres dentro da USP não são novidade. E, infelizmente, a impunidade dos agressores também não. No final de 2014 criou-se uma CPI que pretendia investigar tais casos, porém os abusos continuam crescendo por causa da falta de credibilidade dada às mulheres.

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