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5 sinais de que o impeachment ganhou força

15/04/2016 21:15 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Ricardo Moraes / Reuters
Brazil's President Dilma Rousseff attends an inauguration ceremony of the Olympic aquatic venue at the 2016 Rio Olympics park in Rio de Janeiro, Brazil, April 8, 2016. REUTERS/Ricardo Moraes

Nos últimos dias, o governo da presidente Dilma Rousseff assistiu uma série de pequenas derrotas que podem ter peso determinante no placar da votação do impeachment, neste domingo (17).

Embora o cenário esteja indefinido e tanto aliados quanto oposição afirmem que contam com votos suficientes para sairem vitoriosos, o governo faz os últimos esforços para remar contra a maré negativa.

1 - Debandada de aliados

O primeiro revés que o governo teve que lidar foi com o anúncio da debandada de aliados. PRB, PP, PR e PSD, esses quatro partidos que já foram fiéis ao governo, decidiram se posicionar a favor do impeachment, cada um com suas particularidades.

Diante a repercussão negativa dos anúncios, restou ao governo apostar nos dissidentes.

2 - Fortalecimento do Temer

Em seguida, o Palácio do Planalto foi surpreendido com a divulgação de um áudio no qual o vice Michel Temer antecipa o impeachment de Dilma e faz o discurso da ‘vitória’.

Para a presidente Dilma Rousseff, o áudio do vice mostra conspiração e “revela traição” a ela e à “democracia”. Aliados de Temer, porém, defendem que o áudio mostra que o vice tem projeto para o pós-impeachment.

Após a gravação, houve uma verdadeira romaria ao Palácio do Jaburu, residência oficial do vice. O clima foi de “já ganhou”.

3 - Derrota no Supremo

Diante a judicialização do processo, o Supremo Tribunal Federal convocou uma sessão extra, na qual manteve a ordem de votação decidida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que dá prosseguimento ao pedido de afastamento de Dilma.

O PCdoB questionou a ordem, que alterna estados das regiões Norte e Sul, mas deixa estados populosos do Nordeste por último. O partido alegou que Cunha pretende criar um “efeito cascata”, fazendo com que os que querem a saída da petista votem primeiro para ficar um ar de já ganhou e influenciar os últimos a votar.

A Corte, entretanto, não fez a mesma avaliação. Os ministros também consideraram que o relatório de Arantes não é fere a Constituição.

4 - Mudança de posicionamento de Janot

Diante do cenário de negociações de espaço no governo, a mudança de opinião do procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, de decidir recomendar ao Supremo Tribunal Federal a anulação da nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil soou como uma bomba no Planalto.

Como disse o ex-ministro da Secretaria de Comunicação do Governo, Thomas Traumann: "Uma coisa era, para as pessoas que estavam negociando, ter o Lula como chefe da Casa Civil, com a caneta na mão. A outra é não ter”.

A decisão colocou em dúvida se os acordos serão ou não cumpridos.

5 - Lista da oposição

A constante divulgação de que a oposição já tem votos suficientes para dar prosseguimento ao processo de impeachment interferiu diretamente no discurso do governo para não perder mais votos.

Aliados tem insistido que contam com mais de 200 votos. O temor é que o clima de vitória da oposição contamine os indecisos que decidam ir com a maioria. Em reação, o PCdo B protocolou um pedido para criar a Frente pela Democracia, com 186 assinaturas. Número superior aos 172 votos que o governo precisa para enterrar o impeachment.

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