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'O Escaravelho do Diabo': Ruivos estão em perigo no aguardado filme brasileiro

14/04/2016 19:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

o escaravelho do diabo

O carismático Thiago Rosseti é o protagonista da aguardada adaptação

"Alguém quer começar a fazer pergunta?", diz a assessora de imprensa. Ágil, Carlo Milani responde: "Eu quero. Gostaram do filme?". A sala do hotel Golden Tulip, em São Paulo, é tomada por risos dos jornalistas.

Milani, 43, teve a delicada incumbência de dirigir a adaptação para o cinema de O Escaravelho do Diabo (2016), clássico da literatura infantojuvenil brasileira de Lúcia Machado de Almeida, publicado inicialmente na revista O Cruzeiro em 1956, e posteriormente, em 1974, pela Editora Ática, como parte da icônica série Vaga-lume. Atualmente, o livro está na 28ª edição.

Confiante e sorridente na coletiva de imprensa na capital paulista, após uma sessão do filme, Milani – diretor de novelas da TV Globo, como Além do Horizonte e América – comenta a responsabilidade que teve ao colocar os dedos, diretamente, na memória afetiva que diversas gerações de brasileiros têm do romance.

"Entendo o sentimento de quem lê um livro e não quer desmanchar [a memória que tem dele]", diz. "Eu não acho que tem que ser xiita, não. O cara tem o direito de ter a opinião dele, o gosto dele, de não querer desmanchar aquela memória que tem do livro e ponto."

O diretor estava acompanhado de Thiago Rosseti, ator-mirim de 13 anos que dá vida ao protagonista, Alberto; Marcos Caruso, intérprete do delegado Pimentel; e a produtora Sara Silveira, da Dezenove Som e Imagens. Todos demonstram estar cientes do território que estão pisando: o da expectativa.

"Quem tem o livro na memória afetiva vai lá ver representados os ícones, a essência da obra da Lúcia", reforça Milani. "Vai se sentir homenageado e vai querer levar os filhos ou sobrinhos para assistir também."

O cineasta assegura que Escaravelho é fruto de um trabalho cuidadoso – foram 12 anos para o projeto se concretizar –, no qual ele se envolveu até o limite do possível. Na lábia, o próprio Milani conseguiu os direitos de adaptação com a família da autora do livro, morta em 2005 em decorrência de uma pneumonia.

A história de mistério concebida pela mineira Lúcia Machado de Almeida é daquelas que sabe se equilibrar entre o adequado e o inadequado para ser assimilada pelo público infantojuvenil. Ela se desenrola a partir de uma série de assassinatos que acontecem na cidadezinha interiorana de Vale das Flores. As vítimas, todas ruivas, recebem escaravelhos antes de morrerem. A primeira vítima é o jovem Hugo (Cirillo Luna), irmão mais velho de Alberto. O menino, inconformado, curioso e inquieto, se envolve na investigação, paralelamente à conduzida pelo delegado vivido por Caruso. Muitos segredos da pacata cidadezinha começam a ser desvendados...

Uma das diferenças mais evidentes entre livro e filme é a troca de idade entre protagonista e irmão. No romance, Hugo é o irmão mais novo – tem 18 anos – enquanto Alberto é um estudante de medicina de 22.

Outras diferenças no roteiro assinado por Melanie Dimantas (Carlota Joaquina, Princesa do Brazil) e Ronaldo Santos (do programa global Você Decide) são o distúrbio de déficit de atenção (DDA) de Alberto e a demência que Pimentel desenvolve conforme avança na investigação. A trajetória pessoal do delegado, abalada pela demência com corpos de Lewy (DCL), é uma das mais interessantes do longa.

O personagem é o único que enfrenta um perigo que vem de dentro de si próprio e pode prejudicar diretamente a apuração da série de assassinatos. Caruso, em boa atuação, consegue tornar críveis os diferentes estágios que Pimentel vive da demência e o desafio que se torna trabalhar no caso nessas condições. Espirituoso, o ator é o principal alívio cômico de Escaravelho.

"Você pode trabalhar no drama com a chave do bom humor", explica Caruso sobre a abordagem concebida para Pimentel. "Aí você dá colorido, tem nuances. Às vezes, fazer comédia com a chave do drama é o ideal, porque senão fica um pastelão."

"Aqui, eu tive a conivência desse homem [o diretor], de que era possível fazer [assim]. Ele me disse que tem momentos muito engraçados. O grande responsável por essa interpretação é o Carlo Milani. Ele endossou e nós falamos a mesma língua lindamente até o final."

marcos caruso

Atuação de Caruso é um dos principais destaques do longa

O filme tem os méritos de ser envolvente, texturizar o delegado com a questão da demência e invocar a discussão do bullying e do DDA – estas duas, sem o mesmo grau de profundidade da primeira –, mas escorrega na condução das atuações, que na maior parte do tempo soam em ritmo artificial. As exceções são Caruso e a esposa de seu personagem, Dona Dulce (Selma Egrei). Uma pena, pois isso impede a sensação de perigo que os bons suspenses tendem a criar.

Escaravelho marca também a primeira produção mais "leve" de Sara Silveira. A Dezenove tem sido a casa de obras autorais e "cabeçudas" – segundo palavras da própria produtora –, como É Proibido Fumar (2009), de Anna Muylaert, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes, e Bicho de Sete Cabeças (2001), de Laís Bodanzky.

"Vamos arrebentar!", disse Silveira, segura e empolgada. É bom que todos estejam assim — para entrar no delicado ambiente das boas lembranças da infância e pré-adolescência.

O Escaravelho do Diabo estreia nesta quinta-feira (14). No elenco, também estão Bruna Cavalieri, Lourenço Mutarelli, Jonas Bloch, Celso Frateschi, Ana Cecília Costa, Bruce Gomlevsky, Gabriela Petry, Felipe de Carolis, entre vários outros.

Duração: 90 min. Classificação indicativa: 12 anos. Produção: Dezenove Som e Imagens, Globo Filmes e Telecine. Distribuição: Paris Filmes e Downtown Filmes.

'O Escaravelho do Diabo': Ruivos estão em perigo no filme

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