MULHERES
14/04/2016 18:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

6 feministas PODEROSAS falam sobre como o movimento impactou suas vidas

feministas

Essas poderosas feministas transformaram o mundo que as cercava em um lugar mais amigável para a igualdade. Mas, e como o movimento transformou as suas vidas?

Para celebrar o feminismo e quem avançou essa conversa, o The Huffington perguntou a seis influentes feministas que explicassem como o movimento da igualdade do gênero impactou a suas vidas de forma pessoal.

Com grandes nomes como o de Janet Mock e Marlo e novas faces como Laci Green e Franchesca Ramsey, essas mulheres contribuíram trazendo importantes temas feministas para o primeiro plano e causando mudanças verdadeiras.

Nós perguntamos a cada uma dessas mulheres como elas descobriram pela primeira vez o feminismo e como o movimento mudou a sua vida, pessoal e profissionalmente.

As suas respostas são comoventes, fortes e uma lembrança muito bem-vinda sobre o impacto positivo que o feminismo pode causar em todas nós.

Confira abaixo como o movimento feminista transformou a vida dessas mulheres e, em retorno, o movimento as ajudou a transformar as de outras mulheres no processo.

Janet Mock: apresentadora de TV, autora e defensora de mulheres trans

janet mock

"O feminismo para mim começou na cozinha de minha avó Shellie em Dallas, no Texas.

Nem ela, nem minhas tias, descreviam as conversas sobre a forma como o gênero, raça e classe impactava o seu dia a dia como ‘feminismo’, mas essas conversas foram fundamentais na forma como eu enxergava o mundo e a mim mesma nele.

Foi na minha aula na universidade, sobre estudos das mulheres, onde fui apresentada a Barbara Smith, bell hooks e Audre Lorde, cujas palavras e obras me incentivaram a viver a minha vida de acordo com minhas próprias definições e sonhos.

O feminismo me forçou a levar as minhas aspirações de sempre, profundamente pessoais e políticas, a libertar o meu corpo como uma jovem mulher trans e escritora negra apesar dos sistemas existentes que não se importavam com a minha própria sobrevivência”.

Marlo Thomas: Atriz, Ativista Feminina e Autora de Livre para Ser... Você e Eu

marlo thomas

“Eu acho que no começo o feminismo foi uma descoberta pessoal.

Embora a primeira onda feminista focasse em coisas como o direito a voto e a propriedade, o feminismo moderno foi desencadeado em grande parte pelo revolucionário livro de Betty Freidan, A Mística Feminina, que despertou muitas mulheres de seu longo sono.

E daí vieram as revolucionárias — como a crônica reveladora de Steinem ao aparecer disfarçada como Coelhinha da Playboy e mostrar a dor dessas jovens mulheres; enquanto outras mulheres escreviam artigos e livros sobre a condição de cidadã de segunda classe que elas sentiam tanto em suas casas como no trabalho.

Tudo isso possibilitou que mulheres em todo o país começassem a mostrar para suas amigas e vizinhos seus sentimentos de profunda insatisfação.

Uma vez que as mulheres percebiam que esse mal-estar não era só delas, mas de fato estava bem espalhado, o movimento surgiu. Sabíamos nesse momento que tínhamos que mudar a cultura e as leis que tinham definido as mulheres inferiores aos homens.

Mulheres na Corte Suprema. Mulheres no Congresso. Mulheres como CEOs das principais empresas. Mulheres nas notícias da TV, mais mulheres do que homens graduando da universidade — nada disso seria possível sem o movimento feminista.

E, o mais importante de tudo, jovens meninas hoje são criadas com a expectativa de que elas têm inegavelmente todas as liberdades que os homens possuem — que a igualdade de gênero não é um privilégio, mas um direito. Sempre falamos sobre dar um mundo melhor para nossas crianças. O movimento feminista fez isso”.

Sophia Amoruso: Fundadora da Linha de Vestuário Nasty Gal e autora de “#GirlBoss”

sophia amoruso

“O feminismo mudou minha vida ao dar nome aos meus pensamentos e sentimentos que eu já tinha.

Ele me educou em diferentes perspectivas e me fez sentir ok por não encaixar no ideal que a sociedade projeta nas meninas e nas mulheres”.

Franchesca Ramsey: Vlogueira, ativista social e integrante do The Nightly Show

franchesca ramsey

“O feminismo me ajudou a me expressar melhor e defender a mim mesma e as outras pessoas”.

Eu acho que muitas das feministas de hoje estão trabalhando para serem mais intersectoriais e reconhecer que existem pessoas de todo os estilos que precisam do feminismo. Eu acho que em boa parte isso acontece por causa das redes sociais e da habilidade das pessoas em compartilhar histórias e expor mais pessoas ao feminismo”.

Laci Green: Uma vlogueira sex-positiva com Aids e Ativista Feminista

laci green

“Na minha infância, eu comecei a notar algumas sutis (e outras nem tanto) diferenças em como as meninas eram tratadas na sociedade.

Eu e minhas amigas fomos massacradas pelo peso da pressão da imagem corporal, sendo julgadas em todas as partes por conta de nossa sexualidade, envergonhadas por menstruar e recebemos a mensagem que tínhamos que ser donas de casa e esposas, não líderes e inovadoras. Eu sabia que estava errada, mas me sentia sem poder algum para falar sobre isso.

Quando o feminismo apareceu, eu me senti validada nas minhas observações e isso me incentivou a usar a minha voz para defender essas questões. Ao falar sobre elas, eu entrei na minha carreira como YouTuber e pude trabalhar com milhares de outras mulheres jovens no mundo todo.

O feminismo é verdadeiramente o centro da minha jornada pela vida”.

Ilyse Hogue: Presidente do NARAL Pro-Choice America

ilyse hogue

“Eu não cresci abraçando o termo ‘feminista’.

Eu tive muita sorte de crescer em um lar que nunca pensou em colocar restrições no que eu poderia conquistar porque eu era uma menina. Eu não sabia ao crescer que queria trabalhar por justiça social e igualdade no mundo.

O que eu descobri enquanto eu abri caminho pelo mundo professional da advocacia foi que mesmo entre os mais progressivos, ainda existe dois tipos de regras, uma para as mulheres e outra para os homens, e que a realidade frequentemente era implícita.

Eu vim para o movimento feminista percebendo que nós como movimento progressivo, como país, e como mundo nunca iremos conquistar o que precisamos conquistar a menos que as mulheres formos empoderadas a tomar nossas próprias decisões na vida.

Abraçar o feminismo me permitiu alcançar metas que eu antes não achava possível. O jeito feminista de pensar e da comunidade que apoia o feminismo deu uma forcinha em mim e nas outras mulheres para pensarmos em alcançar novas alturas. Ele me permitiu imaginar novamente o futuro porque me fez lembrar de tudo que ainda falta por conquistar”.

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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