ENTRETENIMENTO

Família encontra Caravaggio avaliado em R$ 500 milhões no sótão de casa

13/04/2016 19:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02
PATRICK KOVARIK via Getty Images
French art expert Stephane Pinta shows a radiography of the painting entitled 'Judith cutting off the head of Holofernes', presented as being painted by Italian artist Caravaggio (1571-1610), while experts are still to determine its authenticity, on April 12, 2016 in Paris. The painting was found out in an attic of a house near Toulouse, southwestern France. / AFP / PATRICK KOVARIK (Photo credit should read PATRICK KOVARIK/AFP/Getty Images)

Uma pintura procurada há muitos anos e que vale milhões de dólares foi encontrada definhando no sótão de uma casa na França. O anúncio foi feito na última terça-feira (12).

Estamos falando de Judite e Holofernes, do pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio, um dos principais nomes dos movimentos Barroco e Renascença, morto em 1610, aos 39 anos.

Pintada em 1599, a obra é autêntica, segundo o negociante de arte Eric Turquin, cuja pesquisa de dois anos foi conduzida desde 2014, quando a obra foi encontrada perto da cidade de Toulouse. Ela tem o valor de US$ 136 milhões (aproximadamente R$ 500 mi).

A família, dona da casa há gerações, não sabia que se tratava de uma peça original – bem preservada, ela foi encontrada por acaso, quando eles subiram ao sótão para consertar um vazamento. Turquin disse que o quadro pode ter passado pela Espanha no século 18, porque a família é descendente de um oficial do exército de Napoleão.

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O negociante mantém o Caravaggio em sua galeria em Paris, à espera de um comprador, enquanto especialistas ao redor do mundo divergem da opinião do negociante.

Um exemplo é Jonathan Jones, crítico de arte do Guardian – o palpite dele é de que quadro é falso.

O jornalista reconhece que a peça tem a "luz cinemática" e "foco sinistro" do pintor, "mas onde está a intensidade psicológica?", argumenta.

Turquin, entretanto, reforçou à imprensa, segundo o New York Times, que a pintura não pode ter sido feita por mais ninguém além do artista lendário.

"Olhem para a qualidade do quadro: a força, a energia, a violência, a escuridão", disse. "É uma pintura da Contrarreforma em seu máximo."

Nicola Spinosa, especialista no pintor, concorda com o negociante. Segundo ele, o estilo "nos permite identificar isso como um Caravaggio original que achamos que estava perdido até agora", escreveu em uma avaliação para Turquin em 2015, como mostra o NYT.

A especialista Mina Gregori, assim como o crítico do Guardian, discorda. Ela disse ao jornal que acredita se tratar de uma cópia feita por Louis Finson, artista flamengo.

O Museu do Louvre, em Paris, recebeu parte da pesquisa, mas ainda não chegou a uma conclusão. Peritos do museu pediram ao governo que o quadro seja protegido, para mais investigações serem feitas. Pelos próximos 30 meses, a exportação da peça está barrada, como foi determinado pelo Ministério da Cultura francês em março.

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