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Número de crianças usadas em ataques do Boko Haram dispara, diz ONU

12/04/2016 11:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
EMMANUEL AREWA via Getty Images
A woman rescued by Nigerian soldiers from Islamist militants Boko Haram at Sambisa Forest prays at the Malkohi refugee camp in Yola on May 5, 2015. They were among a group of 275 people rescued by the Nigerian military last week and arrived at the camp on May 2. The Nigerian military said it has rescued some 700 women and children in the past weeks. AFP PHOTO / EMMANUEL AREWA (Photo credit should read EMMANUEL AREWA/AFP/Getty Images)

A Unicef afirmou que o número de "crianças-bomba" usadas em ataques suicidas do grupo extremista islâmico Boko Haram cresceu dez vezes em um ano, gerando consequências como a visão em algumas comunidades de que crianças são uma ameaça.

Segundo a agência da ONU para crianças, 75% das que são usadas em ataques a bomba são meninas. De acordo com a CNN, as meninas chegam a brigar para ver quem vai ser morta nos atentados, por não aguentarem mais passar fome e serem abusadas sexualmente.

"Se eles nos derem uma bomba, pode ser que nos encontremos soldados, e possamos dizer a eles 'eu tenho uma bomba em mim', e eles podem desativar a bomba", explica uma jovem, que foi sequestrada pelo grupo em 2014.

O número de crianças em ataques suicidas na Nigéria, em Camarões, no Chade e no Níger aumentou de 4 em 2014 para 44 em 2015. A frequência de ataques suicidas totais do grupo subiu de 32 em 2014 para 151 em 2015. No ano passado, 89 desses ataques foram realizados na Nigéria, 39 em Camarões, 16 no Chade e 7 no Níger.

Há casos também, segundo a Unicef, em que as crianças carregam as bombas sem saber - o dispositivo é acionado remotamente. "Essas crianças são vítimas, não perpetradoras", afirmou Manuel Fontaine, Diretor Regional da agência.

Durante sete anos de insurgência, pelo menos 17 mil pessoas morreram e 1,3 milhão de crianças foi forçada a deixar suas casas. Mais de 670 mil jovens estão fora das salas de aula há mais de um ano, por conta dos ataques do grupo, que fechou 1.800 escolas.