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Mais da metade dos deputados da comissão do impeachment tem problemas com a Justiça, e 30% votaram contra Dilma

12/04/2016 11:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Câmara dos Deputados e Agência Brasil

Os deputados federais Rogério Rosso (PSD-DF), Jovair Arantes (PTB-GO), Paulo Maluf (PP-SP) e Marco Feliciano (PSC-SP) integram a lista de 38 votos favoráveis ao relatório que pede a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), aprovado na noite desta segunda-feira (11) na comissão que avaliou o tema na Câmara.

Mas o quarteto tem mais em comum: eles integram uma outra lista, a qual mostra que mais da metade dos parlamentares da comissão do impeachment – 36 dos 65 indicados pelos partidos – possuem pendências com a Justiça no País. O levantamento foi feito tanto pela Agência Lupa, com base em dados do projeto ‘Excelências’, da Transparência Brasil.

Já de acordo com o Aos Fatos, desse grupo de 36 progressistas com problemas judiciais, 20 votaram a favor do prosseguimento do pedido de impeachment de Dilma ao plenário da Câmara, enquanto outros 15 votaram contra – o deputado federal Washington Reis (PMDB-RJ), recordista de pendências com 28 – não compareceu por licença médica.

São um total de 155 ocorrências que vão de inquéritos nas áreas cíveis e criminais, passando por contas rejeitadas por órgãos de fiscalização.

Em relação a envolvidos nas investigações da Operação Lava Jato, três votaram contra o impeachment – Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Roberto Britto (PP-BA) e José Mentor (PT-SP) – e um votou a favor – Jerônimo Goergen (PP-RS). Os dados se somam ao levantamento que mostrou que 61% dos parlamentares da comissão (40) receberam recursos de empresas investigadas na Lava Jato.

De acordo com levantamento do jornal Zero Hora, entre os supostos crimes cometidos estão pelo menos 39 acusações de improbidade administrativa, oito de corrupção, oito de lavagem de dinheiro e seis de formação de quadrilha. Além disso, seis deputados já foram condenados em alguma instância da Justiça e oito são réus no Supremo Tribunal Federal (STF).

Seis partidos – PP, PSD, PPS, PEN, PTN e PV – têm 100% da suas bancadas na comissão de impeachment da Câmara implicados com alguma ocorrência judicial, enquanto sete dos oito parlamentares do PMDB, cinco dos oito do PT, e três dos seis nomes do PSDB também possuem pendências.

PSol, Rede, PHS, PMB, PTdoB, Pros, DEM e PCdoB não tem nenhum parlamentar implicado em alguma discussão na Justiça, de acordo com a Agência Lupa.

No âmbito completo do Congresso Nacional, a Transparência Brasil também apurou que 59% dos 513 deputados federais (303) são investigados por algum crimes, índice não muito melhor entre os senadores (49 dos 81 – 60% do total – respondem por alguma irregularidade na Justiça).

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