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'Quem nunca'? Michel Temer diz que discurso foi enviado para grupo errado

11/04/2016 18:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian Vice President Michel Temer speaks during a meeting with Prince Haakon of Norway at Planalto Palace in Brasilia, on November 16, 2015. AFP PHOTO/EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Quem nunca enviou um áudio para o grupo errado? Foi isso que aconteceu, segundo o vice-presidente Michel Temer. A gravação, na qual ele antecipa o impeachment da presidente Dilma Rousseff, segundo ele, foi feita para amigos que perguntavam se ele tinha ideia do que falaria caso o impeachment passasse pela Câmara dos Deputados.

Segundo ele, no momento de passar a mensagem adiante para outros amigos, o áudio foi para um grupo.

Apesar do “ato falho”, o vice manteve tudo o que disse.

“Fiz uma gravação onde ressaltei pontos daquilo que eu tenho defendido, pacificação absoluta do País, unidade do País, o chamamento de todos os partidos para um governo, digamos assim, de salvação nacional, a ideia de que nós devemos prestigiar os setores produtivos, ou seja, trabalhadores e empregadores, a ideia de que nós devemos manter os programas sociais e até aprimorá-los ao longo do tempo.

Fui dizendo exatamente isso na gravação e confesso que logo depois and resolvi mandar a gravação para outro amigo houve um equivoco e foi para um grupo que acabou divulgando essa matéria.

Mas eu reitero que aquilo que disse seria exatamente o que fiz no passado, continuarei a fazer dependendo do que acontecer no dia 17.”

Ele acrescentou que, mesmo que o governo continue, ele continua sustentando a mesma tese.

Repercussão

Entre os peemedebistas, a mensagem foi mal vista. Os correligionários de Temer consideraram a divulgação do áudio um erro indefensável, uma exposição desnecessária.

O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) tentou amenizar. Segundo ele, a mensagem mostra a constitucionalidade do processo.

Em favor do impeachment, o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP) também considerou um erro a divulgação da gravação, mas acredita que não faz diferença para os parlamentares decidirem o voto nem para a opinião pública.

"Você acha que alguém mudaria por causa desse áudio? Não vão mudar. Era melhor que não tivesse saído, mas em termos práticos, não faz diferença.”

Entre os petistas, o áudio serviu para reforçar a alcunha de golpista que tem sido atribuída ao vice.

O deputado Henrique Fontana (PT-SP) diz que há um tom de obsessão.

“Alguém obcecado para chegar ao poder é capaz de tudo, capaz de conspirar, de articular um golpe, capaz de articular com Fiesp, Paulo Skaf para promover uma campanha absolutamente milionária em favor do golpe, ou seja, estamos diante um homem que demonstra cada vez mais dificuldade de caráter.”

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