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Precisamos estar atentos aos pedidos de ajuda das mães com psicose pós-parto

11/04/2016 11:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Uma mãe está desafiando o mundo a repensar como encaramos mães que matam seus filhos quando sofrem de uma doença mental.

“Faz seis anos desde que minha filha nasceu. Quero ter mais filhos e ainda morro de medo”, disse a mãe em um vídeo para o Buzzfeed.

“O que sei é que desta vez estou colocando minha saúde mental em primeiro lugar.”

“Precisamos ensinar às mães que é OK pedir ajuda.”

No vídeo, ela fala sobre o caso da americana Andrea Yates, que afogou seus cinco filhos na banheira, em junho de 2011.

“Você olha para uma pessoa como Andrea e acha que ela é um monstro, porque matou seus cinco filhos, o que obviamente é uma coisa monstruosa”, diz a mãe.

“Mas eu olho para Andrea e sinto muita empatia, pois sobrevivi à depressão pós-parto.”

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“Você olha para uma pessoa como Andrea e acha que ela é um monstro.”

“O mais importante é entender que o que aconteceu com a família Yates era totalmente evitável”, continua a mãe.

Seis anos e dois julgamentos depois, Yates foi absolvida por insanidade e internada em um hospital psiquiátrico, onde está até hoje.

Yates deu à luz seu quarto filho em fevereiro de 1999. Quatro meses depois, ela tentou o suicídio e foi diagnosticada com depressão pós-parto e psicose.

Um mês depois, ela tentou o suicídio novamente, e os médicos receitaram um remédio antipsicótico.

Mas alguns meses mais tarde ela parou de tomar a medicação e engravidou pela quinta vez.

Em março de 2010, o pai de Yates morreu. A psicose voltou, e ela novamente passou a tomar remédios – mas, depois de algumas semanas, o médico decidiu que os efeitos colaterais era muito severos e interrompeu o tratamento.

Dois dias antes do afogamento, o marido de Yates a levou ao médico, pedindo ajuda. O médico se recusou a receitar remédios.

Yates sofria de psicose extrema. Ela tinha visões e ouvia vozes.

Segundo Yates, ele esperou o marido ir para o trabalho, porque sabia que ele a impediria de machucar as crianças.

Questionada se ela sabia que o que fez era errado, Yates afirmou que não achava que fosse errado, pois, se não matasse seus filhos, eles seriam atormentados pelo demônio.

Depois do julgamento, Rusty Yates, o marido, disse que sua família tinha sido vítima do sistema de saúde.

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“Rusty Yates, o marido, disse que sua família tinha sido vítima do sistema de saúde.”

Yates não sofre mais de psicose, e agora seu diagnóstico é de transtorno bipolar. Seu marido luta pela liberdade dela, pois ela “passou da idade de ter filhos” e há muito tempo está estável. Além disso, ela tem muitas pessoas que podem lhe dar apoio fora do hospital.

“Essa é a pessoa que mais perdeu”, explica a mãe no vídeo do Buzzfeed. “Ela passa os dias num hospital psiquiátrico e tem plena consciência do que aconteceu.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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