LGBT
11/04/2016 18:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Médicos europeus acreditam que o homossexualidade é doença, indica pesquisa

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A revelação de que muitos médicos europeus continuam acreditando que o homossexualidade é uma doença foi considerada “chocante” por organizações que defendem os direitos LGBT.

Um relatório da Agência para os Direitos Fundamentais da União Europeia indica que uma “grande proporção” dos profissionais de saúde de alguns países da União Europeia identificam ser gay como “um problema patológico”.

O relatório aponta Bulgária, Hungria, Itália, Letônia, Polônia, Romênia e Eslováquia como alguns dos países em que essa visão é comum.

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Principais resultados

A homossexualidade é vista como um problema patológico por uma grande proporção de profissionais de saúde de países-membros da UE, incluindo Bulgária, Hungria, Itália, Letônia, Polônia, Romênia e Eslováquia. Em alguns casos, a homossexualidade é tratada como patologia em materiais de treinamento para médicos.

O relatório “Falando profissionalmente: desafios para alcançar a igualdade para pessoas LGBT” também indica que a homossexualidade é tratada como patologia no treinamento dos médicos.

Em resposta ao levantamento, Kim Sanders, da caridade LGBT Stonewall, disse ao HuffPost UK: “A pesquisa reflete o tratamento e a desigualdade chocantes que gays, lésbicas, bis e trans enfrentam em alguns países europeus.”

“Homofobia, bifobia e transfobia sustentam essas crenças e colocam em risco a saúde da população LGBT. A população LGBT não só tem de enfrentar abuso e discriminação, como também tem o acesso à saúde bloqueado por causa do preconceito.”

Principais resultados

  • Na maioria dos países, os entrevistados disseram haver falta de informação objetiva sobre orientação sexual e identidade de gênero nos currículos escolares;
  • Vários entrevistados consideram a orientação homossexual e a identidade trans ‘estrangeiras’ e em desacordo com a ideia prevalecente de ‘identidade nacional’;
  • Falta de conscientização, informação, dados, recursos e capacidade no que diz respeito aos direitos da população LGBT é reforçada pela ‘relativa invisibilidade’ da comunidade;
  • São necessários capacitação, treinamento e conscientização sistemáticos sobre os direitos e necessidades da população LGBT nas áreas de educação, saúde e policiamento;
  • As leis e as políticas da UE apoiam os esforços de igualdade, mas em vários países os entrevistados afirmaram que essas políticas nem sempre são aplicadas na prática;
  • Pode haver diferenças entre áreas urbanas e rurais na implementação de políticas de igualdade.

Sanders continua: “Nosso estudo indica que 10% dos profissionais de saúde ouviram colegas expressando que a atração por pessoas do mesmo sexo pode ser curada”.

“A falta de educação, além das crenças preconceituosas destacadas nesse relatório e em nossas pesquisas, mostram que ainda há muito a ser feito antes que todos sejam tratados com igualdade, tanto no Reino Unido como internacionalmente.”

casal

Matthew Hodson, da organização de defesa dos direitos dos gays GMFA, disse ao The Huffington Post UK: “É triste e chocante que, no século 21, ainda tenhamos de argumentar que a homossexualidade não é doença”.

“Gays e lésbicas não têm transtornos nem são inferiores. Nossa sexualidade não precisa de cura.”

Os autores do relatório entrevistaram 1 039 autoridades e profissionais em 19 países da UE.

O relatório também aponta que atitudes sociais negativas e estereótipos representam grandes barreiras para acabar com a discriminação e os crimes de ódio contra a população LGBT.

Isso afeta as ações das autoridades, afirmam os autores do estudo.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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