NOTÍCIAS

Manifestação contra impeachment tem Lula e Chico Buarque no Rio de Janeiro

11/04/2016 20:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Chico Buarque pela democracia 11/04

No Ato Cultura Pela Democracia no Rio de Janeiro, Chico Buarque é ovacionado pelo público e devolve com mais amor <3#CulturaPelaDemocracia

Publicado por Mídia Ninja em Segunda, 11 de abril de 2016

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o compositor Chico Buarque e outros artistas e intelectuais participam nesta noite de segunda-feira, de um ato, no Rio, contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Cerca de cinco mil pessoas, de acordo com os organizadores do evento, acompanham o ato na Fundição Progresso, na Lapa.

"É uma coisa absurda deixar na mão deste Congresso o futuro do País. Independente do resultado da votação, dá nojo e asco ver esse Congresso decidindo algo", afirmou o humorista Gregorio Duvivier, em seu rápido pronunciamento no ato. "O impeachment capitaneado por Eduardo Cunha é como um pênalti marcado pelo Eurico Miranda a favor do Vasco", completou.

chico lula

O humorista ressaltou que a manifestação tem críticas ao governo e pediu à presidente Dilma que "melhore e governe para a esquerda, em nome do projeto para a qual foi eleita". Ao todo, cerca de 300 artistas e intelectuais assinaram o manifesto contra o processo de impeachment da presidente - entre eles, Wagner Moura e Caetano Veloso, que não estavam presentes devido a compromissos no exterior.

Também participaram a sambista Beth Carvalho, a atriz Letícia Sabatella, o teólogo Leonardo Boff, o escritor Eric Nepomuceno e os dramaturgos Aderbal Freire Filho e José Celso Martinez Correa. No campo político, acompanharam o ato o ex-presidente do PSB Roberto Amaral e o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Amorim, entre outros artistas, juristas e intelectuais.

Integrantes de diversos movimentos sociais também estão presentes, como UNE, MST, CUT, Unegro, Federação Única dos Petroleiros (FUP), além de militantes dos PT, PCdoB, PSOL e PDT. Do lado de fora, nos Arcos da Lapa, uma multidão acompanha pelo telão os discursos dos artistas, enquanto aguarda pronunciamento do ex-presidente Lula.

O manifesto, lido pelo escritor Eric Nepomuceno, chama de "ressentidos da derrota e aventureiros do desastre" os apoiadores do impeachment no Congresso. "Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial integra a Constituição Cidadã de 1988. E é por respeito a essa Constituição que seu uso indevido e irresponsável se constitui um golpe institucional. Quando não há base alguma para sua aplicação, o que existe é um golpe de Estado", diz o texto.

No palco, os artistas fizeram menção às pesquisas de intenção de voto, divulgadas pelo instituto Datafolha, no domingo, e também a falta de "fundamento jurídico e crime de responsabilidade" no pedido de impeachment que tramita no Congresso. Citado pelo dramaturgo Aderbal Freire Filho, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi vaiado pelo público.


Presidente Lula OVACIONADO na chegada à Fundição... #NãoVaiTerGolpe #CulturaPelaDemocracia #VemPraDemocracia

A video posted by Murilo Ribeiro (@mukaribeiro) on


Em outros estados

Desde domingo (10), manifestantes contra a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff ocupam um espaço no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, com 18 barracas. Eles fazem parte dos projetos #MusicaPelaDemocracia e #OcupeaDemocracia, tocado por profissionais que trabalham com cultura em São Paulo e no Brasil.

A ocupação que permanece até o dia 17, dia da votação do impeachment. Os manifestantes e artistas que ocupam o Largo da Batata defendem, principalmente, a democracia.

“Essa não é uma defesa do governo, mas da democracia. Mas sabemos que, se tiver um impeachment como esse, que é um golpe, a situação para quem luta ou quer transformar o Brasil vai piorar com mais repressão e mais cerceamento dos direitos e das liberdades”, disse Josué Medeiros, do coletivo A Rua, um dos participantes da ocupação.

LEIA MAIS:

- Ação pede multa diária de R$ 3 milhões a Cunha por impeachment de Temer

- 'Quem nunca'? Michel Temer diz que discurso foi enviado para grupo errado