NOTÍCIAS

Busca por vacina contra o vírus H1N1 em concessionária de luxo não faz distinção de classe social em São Paulo

10/04/2016 13:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Reprodução Twitter e Eduardo Saraiva/A2img

Quem passava pela frente achava que havia alguma promoção. Desde o amanhecer do último sábado (9), a frente de uma concessionária de veículos da marca alemã BMW, na zona sul de São Paulo, reunia cerca de 500 pessoas em uma fila. Elas não estavam lá atrás de um carro zero km. Elas queriam não entrar na lista de 17 mortos de 2016, todos vítimas do vírus Influenza A H1N1.

Dados divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde na sexta-feira (8) mostram que a capital paulista registrou neste ano 201 casos, com 17 vítimas fatais. Segundo a pasta, 14 mortes tiveram a influência de doenças adicionais. Todavia, levando-se em conta que a cidade registrou no ano passado apenas 12 casos do H1N1 e nenhuma morte, a preocupação atual não é injustificada.

Já o levantamento nacional da doença, feito pelo Ministério da Saúde, aponta o registro de 444 casos de síndrome aguda respiratória grave causados pelo H1N1, com 71 mortes registradas no País – 55 delas apenas no Estado de São Paulo. Em 2015, foram 36 mortes durante os 12 meses em todo o Brasil.

“Com esse surto e a vacina cada vez mais cara, a melhor opção é esperar na fila para conseguir uma dose”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo a pedagoga Valéria Cristina Santos, de 36 anos. Ela mora no Jardim Ângela, na zona sul da capital, e demorou uma hora e meia para chegar na concessionária com o filho de 5 anos.

Em situação parecida estava a família da professora Alessandra Castro, que aguardava na fila com o marido e os dois filhos, de 5 e 8 anos. “Nas clínicas particulares não estamos achando, então a saída foi vir aqui”, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Na fila em frente a concessionária, houve confusão e bate-boca quando algumas famílias com crianças de colo tentaram passar na frente dos demais (não havia fila preferencial).

A busca pela dose gratuita não é justificada apenas pela urgência, mas também no bolso. O Procon de São Paulo chegou a notificar hospitais particulares e laboratórios em razão de um reajuste do preço da vacina, que subiu dos R$ 45 praticados no ano passado para até R$ 215 neste ano.

A ação da revendedora tinha a ideia de distribuir 1,5 mil doses da vacina. Inicialmente, segundo os funcionários, a ideia era aplicar 1 mil doses, restritas aos clientes da marca. Mas, por causa da grande procura, decidiram aumentar o número de imunizações e ampliar a ação para qualquer pessoa que tivesse interesse. As senhas começaram a ser distribuídas às 9 horas e acabaram às 10h45.

BMW Agulhas Negras | Conduzindo Conquistas.www.bmwagulhasnegras.com.br

Publicado por BMW Agulhas Negras em Quinta, 7 de abril de 2016


De acordo com o dono da concessionária, Nelson Augusto, a ação foi uma “realização pessoal”. “Não são nossos clientes, mas não há problema nenhum. Não fizemos isso para vender carros. Estou me sentindo realizado com o que fizemos”, explicou. “Não é uma campanha de marketing, é responsabilidade social. A vacinação é uma responsabilidade dos governos, mas, já que não estão fazendo, os empresários podem dar essa contribuição”.

Campanhas em andamento

A chegada antecipada do H1N1 provocou não só uma corrida da população atrás da imunização. Em todo o País, secretarias estaduais de saúde e o próprio Ministério da Saúde procuraram antecipar o quanto foi possível as campanhas anuais de vacinação contra a gripe. Como a distribuída na concessionária, a vacina disputada é a trivalente, que protege contra três tipos da doença, incluindo o H1N1 e a do tipo B.

O Estado de São Paulo iniciou uma campanha na semana passada – um mês antes do previsto. Primeiro, foram vacinados profissionais da saúde. Nesta segunda-feira (11), começa a primeira etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Serão imunizados os grupos prioritários, entre eles crianças de seis meses a 5 anos, gestantes, idosos, doentes crônicos, indígenas, detentos e funcionários do sistema prisional.

Em todo o País serão distribuídas 53,4 milhões e 400 mil doses da vacina, segundo o Ministério da Saúde.

Na capital paulista, a vacinação foi antecipada e acontecerá em 451 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) espalhadas por todas as regiões da cidade, das 7h às 19h, de segunda a sexta-feira. De acordo com o secretário municipal da Saúde, Alexandre Padilha, a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) visa dar prioridade a certos grupos, a fim de evitar o agravamento da situação quando, possivelmente, ocorra um aumento da transmissão.

“Quando você faz vacinação para a toda a população, os mais vulneráveis, quem mais precisa acaba não sendo os primeiros vacinados, porque eles não podem chegar as 4 horas da manhã em uma clínica e marcar lugar. Uma pessoa com deficiência ou gestante não pode enfrentar uma fila”, disse Padilha. Uma segunda etapa da campanha, que será iniciada a partir do dia 18, vai imunizar mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias e pessoas com doenças crônicas.

A meta da ação na capital paulista é vacinar 80% do público-alvo da campanha, cerca de 3,2 milhões de pessoas em toda a cidade. Em 2015, a cobertura vacinal foi de 81,72% desse público.

Contágio

A pessoa é infectada pela gripe por meio das secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir ou espirrar. O vírus também é transmitido da forma indireta, por meio das mãos que podem levar o agente infeccioso direto à boca, olhos e nariz, após contato com superfícies recém-contaminadas por secreções respiratórias.

Algumas medidas simples podem ajudar na prevenção, como lavar frequentemente as mãos, usando lenços descartáveis, cobrindo a boca e o nariz ao tossir/espirrar, e manter os ambientes arejados, com boa circulação de ar. É o que explica o diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Claudio Maierovich.

“Sempre que alguém espirra, ou tosse, é importante que cubra a boca e o nariz, de preferência utilizando o braço porque as pessoas têm muito contato das mãos com outras pessoas. No braço o contato é menor. As pessoas que não estão gripadas, mas podem ter contato com as pessoas gripadas, também devem lavar as mãos com bastante frequência, com água e sabão, ou higienizar com álcool gel, que também é capaz de eliminar o vírus da gripe”.

E vale ainda um lembrete: a vacina não causa a gripe. A imunização lança mão apenas de partículas mortas do vírus. Contudo, uma pequena parcela de vacinados pode apresentar dor discreta no local da aplicação, febre baixa, dores musculares e mal-estar em até dois dias após a aplicação, o que não a contraindica.

(Com Estadão Conteúdo)

LEIA TAMBÉM

- Afinal de contas, quais são as doenças que podem ser transmitidas num beijo?

- Voluntários aceitam ficar gripados em troca de dinheiro

- Doenças causadas pelo tempo seco: como prevenir e tratar

- 6 argumentos perigosos contra a vacinação que PRECISAM ser demolidos