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Presidente em exercício do PMDB, Romero Jucá negocia cargos em novo governo, mesmo implicado por delação da Lava Jato

08/04/2016 12:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil/Romério Cunha

Um dos líderes do rompimento do PMDB com o governo, o senador Romero Jucá (RR) assumiu nesta semana não só a presidência do partido, no lugar do vice-presidente da República, Michel Temer, mas também a articulação política de uma eventual gestão do peemedebista. É o que mostra uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta sexta-feira (8).

De acordo com a publicação, o senador já negocia espaços e cargos num futuro governo Temer com partidos como PP, PR, PSD e PTB – justamente os partidos buscados pela presidente Dilma Rousseff (PT) para escapar do processo de impeachment na Câmara. A oferta apresentada aos deputados por Jucá é resumida em uma frase, segundo o Estadão:

“Querem ficar no cargo de um governo que pode cair em breve ou preferem aderir a Temer pelos próximos ‘dois anos e meio’?”.

A movimentação de Jucá na articulação para o que alguns chamam de ‘Saída Temer’ para a crise que o País atravessa envolve uma aproximação do senador com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), responsável por iniciar o processo de afastamento de Dilma.

Ao mesmo tempo, Jucá também foi citado por executivos da empreiteira Andrade Gutierrez, em delações premiadas homologadas na última quinta-feira (7) pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). Reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira diz que, de acordo com os delatores, dinheiro foi repassado ao senador por contratos com a Eletronorte.

Não é a primeira vez que o nome de Jucá aparece na Operação Lava Jato. No ano passado, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, afirmou que o peemedebista pediu R$ 1,5 milhão em doações para as eleições de 2014, quando Rodrigo Jucá, filho de Romero, foi candidato a vice-governador. Há um inquérito em andamento por conta dessa denúncia.

À Folha, Jucá negou qualquer irregularidade em suas contas eleitorais. Em outra frente, o senador é investigado por supostos pagamentos de R$ 45 milhões feitos por lobistas, em apurações da Operação Zelotes.

O senador de Roraima assumiu o comando do PMDB a fim de ‘blindar’ Michel Temer, que vinha sendo alvo diário de críticas dentro e fora do ambiente político. A mais incômoda delas dizia respeito ao suposto 'caráter golpista' do vice-presidente da República, que estaria conspirando em benefício próprios, inclusive com supostas tratativas com o PSDB.

Ex-líder de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Jucá vem ainda, nos bastidores, combatendo as investidas do governo para obter votos contra o impeachment junto ao PMDB.

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