MULHERES

Em 4 tweets, Neil Gaiman mostra que para ser influenciado por escritoras, basta lê-las

08/04/2016 19:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Jeremy Sutton-Hibbert via Getty Images
EDINBURGH, SCOTLAND - AUGUST 24: Neil Gaiman, English author of short fiction, novels, comic books, graphic novels, audio theatre and films, appears at a photocall prior to an event at the 30th Edinburgh International Book Festival, on August 24, 2013 in Edinburgh, Scotland. The Edinburgh International Book Festival is the worlds largest annual literary event, and takes place in the city which became a UNESCO City of Literature in 2004. (Photo by Jeremy Sutton-Hibbert/Getty Images)

Até onde vai a visibilidade das mulheres na literatura?

O jornalista Gay Talese, 84, um dos nomes mais respeitados da imprensa dos Estados Unidos, disse no último sábado (4), em conferência sobre jornalismo na Boston University, que nenhuma de suas autoras contemporâneas o inspirou.

"Não conheci nenhuma escritora que eu amasse", disse Talese.

O momento, de grande repercussão em blogs feministas estrangeiros, foi registrado em um tweet de Andrea Swalec, jornalista da NBC Washington presente no evento repleto de mulheres do ramo.

A fala de Talese é particularmente reveladora, porque ele é um dos autores que ajudaram a consolidar o novo jornalismo – também chamado de "jornalismo literário" –, cultuado e importante movimento que consiste em contar histórias reais com técnicas narrativas da ficção. O ápice do novo jornalismo foi na década de 1960, quando Talese surgiu e escrevia para o New York Times e para a Esquire.

Swalec o questionou, no evento, sobre Joan Didion. Talese respondeu que esta importante colega de movimento não "reportava sobre pessoas antissociais".

Amanda Katz, jornalista do Boston Globe que participou da conferência, contou no Twitter que Talese argumentou: "acho que mulheres cultas querem lidar com pessoas cultas" e que mulheres "não escrevem boa não ficção porque se sentem desconfortáveis ao falar com estranhos".

Bem... O escritor Neil Gaiman, 55, não gostou nada disso. Ele se juntou à conversa na rede social – onde chamou o ocorrido de "tolice" – ao compartilhar uma saraivada de autoras que o influenciam:

A lista de Gaiman contempla grandes autoras de fantasia, ficção científica, literatura infantojuvenil e terror, por exemplo.

O escritor, bestseller cultuado e amado por seus milhões de fãs, é conhecido por escrever o quadrinho Sandman e livros como Deuses Americanos, O Oceano no Fim do Caminho e O Livro do Cemitério, entre vários outros.

Aí está a evidência de que grandes autoras podem, sim, inspirar grandes autores. Basta lê-las.

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