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Em 2011, Bernie Sanders já previa o escândalo #Panamá Papers

08/04/2016 17:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

bernie sanders

O senador Bernie Sanders está destacando sua oposição ao acordo de livre comércio dos Estados Unidos com o Panamá na esteira do escândalo Panama Papers.

  • Bernie Sanders expressou preocupação sobre evasão fiscal quando explicou por que era contra o acordo de livre comércio entre Estados Unidos e Panamá.
  • O senador do Estado de Vermont agora afirma que os “Panama Papers”, que expõem as empresas offshore de centenas de milionários e empresas, são a prova de que ele estava certo.
  • Sanders, que derrotou Hillary Clinton nas primárias do Estado de Wisconsin, na terça-feira (6), disse que sua adversária aprovava o acordo de livre comércio com o Panamá quando era secretária de Estado.

O pré-candidato à Presidência Bernie Sanders, que disputa a indicação do Partido Democrata, está destacando seu voto contra o acordo de livre comércio entre Panamá e Estados Unidos, depois da divulgação dos Panama Papers.

As notícias que vêm sendo publicadas desde domingo, baseadas em um enorme vazamento de informações do escritório de advocacia Mossack Fonseca, estão causando enorme impacto no mundo inteiro.

Os documentos revelam como o sistema legal panamenho permite que pessoas ricas e poderosas – incluindo centenas de políticos e pessoas públicas – escondam suas fortunas.

Agora Sanders está lembrando os eleitores que ele sempre foi contra a evasão de impostos no Panamá, muito antes de o tema chegar às manchetes dos jornais e derrubar pelo menos um chefe de Estado.

Na segunda-feira passada, o candidato postou um vídeo de 2011 no Facebook no qual ele ataca o acordo de livre comércio no Senado, justamente por acreditar que ele representaria um incentivo à evasão fiscal.

Bernie Was Right to Oppose the Panama Free Trade Agreement

Bernie opposed the 2011 Panama Free Trade Agreement because he was worried it would increasingly allow wealthy Americans and large corporations to evade U.S. taxes by stashing their cash in offshore tax havens. Now with the release of the Panama Papers it appears he was right. They show that over 214,000 offshore companies are using Panama to evade taxes. That is unacceptable, and that has got to change.

Publicado por U.S. Senator Bernie Sanders em Segunda, 4 de abril de 2016


“Na verdade, senhor presidente, o Panamá é um líder mundial quando se trata de permitir que grandes corporações e americanos ricos burlem o fisco americano, escondendo seu dinheiro em paraísos fiscais offshore”, disse Sanders, dirigindo-se ao presidente do Senado.

“E o acordo de livre comércio com o Panamá pioraria muito uma situação que já é ruim.”

Sanders argumentou que provisões jurídicas no acordo dificultariam os esforços de policiamento das autoridades fiscais.

“Bem, em uma época em que temos uma dívida nacional de US$ 14 trilhões, e em uma época em que estamos freneticamente tentando descobrir como reduzir nosso déficit, alguns de nós acreditam que é uma boa ideia acabar com esses paraísos fiscais nos quais os ricos e as grandes corporações escondem seu dinheiro no exterior e evitam pagar impostos nos Estados Unidos”, disse Sanders.

“O acordo de livre comércio com o Panamá tornaria esse objetivo ainda mais difícil.”

Sanders e outros 21 senadores democratas votaram contra o acordo, em outubro de 2011.

“Com a divulgação dos Panama Papers, parece que [Sanders] estava certo”, escreveu o gabinete de Sanders no Facebook. Até a tarde de sexta-feira (8), o vídeo já contabilizava 5,8 milhão de visualizações.

O The Huffington Post falou com vários especialistas em evasão fiscal em 2011, e eles tinham o mesmo temor de Sanders.

No mínimo, os Panama Papers provam que o acordo de livre comércio não cumpriu a promessa de que na verdade diminuiria a evasão fiscal nos Estados Unidos, disse a organização não-governamental Public Citizen.

O governo Obama negociou um acordo de compartilhamento de informações fiscais para satisfazer as dúvidas de que o acordo facilitaria a evasão fiscal.

Mas, como observa o Public Citizen, uma brecha permite que o governo panamenho descarte os requerimentos de transparência se eles forem “contrários às políticas públicas” do Panamá.

Sanders também destacou que sua posição era diferente da de Hillary Clinton, sua adversária nas primárias democratas. Quando era secretária de Estado, Clinton elogiou o acordo.

Em um comunicado divulgado na terça, Sanders disse: “Minha adversária ... se opôs a esse acordo quando concorria contra Barack Obama em 2008. Mas, quando realmente importava, ela rapidamente mudou de oposição e ajudou a aprovar no Congresso o Acordo de Livre Comércio com o Panamá. O resultado é um desastre.”

Sanders também prometeu acabar com o acordo se for eleito presidente.

“É hora de mudança real. Se for eleito presidente, usarei minha autoridade para acabar com o acordo em seis meses. Meu governo vai realizar uma investigação imediata nos bancos, corporações e indivíduos ricos que vêm escondendo seu dinheiro no Panamá para não pagar impostos. Se qualquer um deles tiver violado a lei, meu governo os responsabilizará.”

As declarações de Sanders sobre o Panamá reforçam sua imagem como oponente das práticas duvidosas das empresas e dos recentes acordos de livre comércio. Estas questões podem ter sido importantes no Estado de Wisconsin, que tem uma forte economia industrial. Sanders obteve sua sexta vitória consecutiva no Estado.

O senador derrotou Clinton por 13 pontos percentuais em Wisconsin. Ele recebeu 60% dos votos, contra 39% de Clinton, entre os 42% dos eleitores das primárias democratas que acreditam que o livre comércio rouba empregos dos americanos, segundo uma pesquisa de boca de urna da CNN.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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