NOTÍCIAS

Pessoas com autismo estão morrendo cedo e 'isso é inaceitável', diz organização beneficente

08/04/2016 10:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
MariaDubova via Getty Images
7 year old boy sitting near the window and playing tablet

Pessoas com autismo estão morrendo décadas antes da média da população, uma pesquisa revelou.

Cientistas da Suécia analisaram dados de 27 mil pessoas com autismo e os compararam com quase 3 milhões de adultos que não têm a condição.

Eles constataram que os adultos com o diagnóstico de autismo morreram, em média, 16 anos antes dos membros da população geral.

Epilepsia e suicídio emergiram como as duas causas principais de morte precoce de autistas.

A organização beneficente britânica Autistica prometeu levantar 10 milhões de libras para lançar um programa de pesquisas sobre as estatísticas, descritas como “vergonhosas”.

autismo

O autismo é um transtorno vitalício que afeta cerca de 1% da população e, segundo a Press Association, afeta a capacidade de se comunicar e se relacionar com outras pessoas.

Sendo uma condição dita de “espectro”, seus sintomas podem variar de leves a muito graves, de pessoa para pessoa.

O estudo sueco descobriu que os autistas que também sofrem de um distúrbio de aprendizagem morrem mais de 30 anos antes da média da população, com a idade média de apenas 39 anos.

As pessoas com autismo que não apresentam entraves intelectuais morrem 12 anos antes da média, e mesmo autistas “de alto funcionamento”, com boas habilidades linguísticas e fonéticas, apresentam o dobro do risco médio de morrer jovens.

Entre 20% e 40% das pessoas com autismo sofrem de epilepsia, comparados com 1% da população geral. Os autistas sem entraves de aprendizagem também apresentam um risco nove vezes superior à média de cometer suicídio.

O executivo-chefe da Autistica, Jon Spiers, comentou: “Esta nova pesquisa confirma a verdadeira escala da crise oculta de mortalidade no autismo.

“A disparidade de resultados de pessoas autísticas revelada nestas cifras é vergonhosa. Não podemos aceitar uma situação em que muitos autistas não chegarão a completar 40 anos de idade.”

Falando em Londres, Spiers acrescentou: “Queremos levantar 10 milhões de libras nos próximos cinco anos para financiar um grande programa novo de pesquisas no Reino Unido sobre a mortalidade no autismo.

“Trata-se de um montante muito importante para nós, algo que supera o que já levantamos em toda nossa história de entidade beneficente de pesquisas. Mas consideramos que é imperativo moral tomar a iniciativa de tentar entender melhor por que os autistas estão morrendo tão cedo.”

Comentando as descobertas, Mark Lever, executivo-chefe da Sociedade Nacional de Autismo, disse: “Os 700 mil autistas do Reino Unido e suas famílias vão se angustiar profundamente com essa descoberta. Nossa entidade não pode aceitar e não aceita um mundo em que os autistas morrem mais de uma década mais jovens que o resto da população.

“Embora este estudo seja baseado em uma pesquisa sueca, não temos razões para crer que a situação seja muito diferente aqui. Na realidade, tememos que possa ser pior. O governo e as autoridades nacionais de saúde precisam urgentemente estudar o que está acontecendo neste país e começar a corrigir os desacertos.

“Os autistas e suas famílias precisam de garantias do governo e do NHS (o Serviço Nacional de Saúde) de que este problema será levado a sério e que serão tomadas medidas para corrigi-lo.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

LEIA MAIS:

- Restaurante dá resposta PERFEITA a clientes que discriminaram garçom autista

- Meu filho tem o tipo de autismo de que ninguém fala

- ‘Autism In Love': filme mostra como um simples romance pode ser tão complexo

- A reação deste menino autista contra o bullying nos deixou sem palavras (VÍDEO)