NOTÍCIAS

Tratada como ‘peça de ficção', delação fragiliza chapa Dilma e Temer na Justiça Eleitoral

07/04/2016 20:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Lula Marques/ Agência PT

Assim como delação premiada do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) soou como uma bomba dentro do Palácio do Planalto por ligar casos de corrupção ao governo, a delação do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo levou mais uma vez a Operação Lava Jato para dentro do Palácio do Planalto.

A preocupação é que a delação dê corpo para ação que o PSDB move contra a chapa formada pela presidente Dilma Rousseff e o vice Michel Temer na Justiça Eleitoral.

Se o Tribunal Superior Eleitoral entender que a campanha da chapa foi abastecida com recurso ilegal, tanto a petista quanto o peemedebista podem perder o mandato.

De acordo com a Folha de S.Paulo, na delação, Azevedo diz que a empreiteira ajudou a financiar a campanha de Dilma com propina derivada de contratos superfaturados com o governo.

Embora lento na corte, o processo assusta. Coordenador financeiro da campanha de 2014 da presidente Dilma Rousseff e atual ministro da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, classificou a delação como "peça de ficção”, negou qualquer diálogo no qual a palavra propina tenha sido mencionada e condenou o vazamento da delação.

Edinho também adotou a estratégia de comprar a doação com a que foi feita para outros partidos, como o PSDB:

“Eu gostaria que alguém tivesse a capacidade de analisar que o dinheiro que está na conta-corrente de uma empresa, se alguém identifica que o valor X é ilegal, o valor X é legal. E que eu vou repassar para a campanha A o valor ilegal, para a B, o legal. É evidente que isso é uma peça de ficção.”

Do lado do vice-presidente, a acusação também preocupa. Isto porque o TSE adota o entendimento de que, mesmo que o vice não tenha recebido dinheiro de propina, ele foi beneficiado pelo caixa da campanha do presidente. A tática do peemedebista tem sido se desvincular ao máximo da petista, com o discurso de que há divisão nas contas.

Impeachment

Embora não tenha efeito prático no processo de impeachment, a delação de munição para engrossar o coro da oposição pela saída de Dilma. O deputado Bruno Covas (PSDB-SP) foi um dos que questionou a legitimidade da petista para seguir no comando do País.

“A presidente Dilma já não tem mais legitimidade, não tem amparo e nem apoio político para governar o país porque, nos últimos 14, 15 meses, tudo o que conseguimos foi uma crise política e econômica sem precedentes. Esse governo não tem razão para continuar. Acredito que esse fato novo fortalece ainda mais o pedido de impeachment atualmente em análise na Câmara. Isso vai ajudar os deputados a favor do impeachment a tomar uma decisão”, disse em nota do PSDB.

Para ele, está claro que a presidente usou de doações proporcionais a contratos para conseguir se manter no poder. "Apoiou todas as suas ações eleitorais em dinheiro proveniente de propina. Fica claro que a presidente Dilma se aproveitou desse esquema para a eleição em 2010 e reeleição em 2014."

LEIA TAMBÉM:

- Tesoureiro na campanha de Dilma nega propina da Andrade Gutierrez

- Ex-presidente da Andrade Gutierrez diz que propina bancou campanha de Dilma em 2014, diz jornal

- Conselho de Ética: Youssef disse que o US$ 5,1 milhões eram para Cunha, diz delator

- ASSISTA: Ministro do STF 'acha estranho' nº de delações e critica vazamentos da Lava Jato