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Eis a prova de que ninguém é culpado por ter transtornos mentais

06/04/2016 10:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
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Você não diria a alguém com câncer que é necessário “superar” a sua doença, certo? Então, por que as pessoas que sofrem com transtornos mentais não são tratadas com a mesma gentileza?

Uma praga comum no estigma das doenças mentais é a ideia que esses distúrbios são uma falácia que está “dentro da cabeça da pessoa”. Na realidade, as doenças mentais estão bem fora do controle de qualquer um e somente 25% das pessoas com doenças mentais sentem que são compreendidas ou recebem empatia dos outros sobre a sua condição, de acordo com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças nos Estados Unidos.

Ainda bem que pesquisas recentes estão começando a quebrar essa errada noção que existe há tanto tempo, de que sofrer com uma doença mental é culpa de quem sofre. Abaixo estão vários estudos científicos que sugerem que as doenças mentais são uma condição biológica e física.

doenças mentais

A depressão pode ser causada por uma inflamação.

Algumas pesquisas sugerem que a depressão e a inflamação podem estar relacionadas. A conexão pode estar na produção de citocinas, proteínas provenientes da inflamação e que existem para proteger o corpo da exaustão, relatou a Revista Discover.

Essencialmente, um pouco de inflamação (e suas citocinas) não é problema e acontece naturalmente no corpo, mas uma superprodução de citocina pode causar problemas de saúde, um deles a depressão.

Além disso, os especialistas estão começando a ver isso como uma teoria razoável. Um outro estudo encontrou que a Inflamação no cérebro pode também estar relacionado com a depressão clínica.

Também pode ocorrer a um nível molecular.

Em uma metanálise de aproximadamente 30 estudos, os pesquisadores da Universidade de Granada observaram como a depressão pode acontecer biologicamente. O que foi descoberto com esses dados é que a depressão pode estar relacionada com o stress oxidativo, um processo celular no corpo que ocorre quando não existem antioxidantes suficientes para limpar os perigosos radicais livres que podem causar doenças.

Isso sugere que a depressão pode ser uma doença sistêmica e do corpo, de acordo com o estudo dos autores. Pode também explicar por que as pessoas com depressão são mais susceptíveis a certas doenças como as doenças cardíacas.

As doenças mentais podem ser hereditárias.

Os estudos sugerem que as doenças mentais como a esquizofrenia e a ansiedade podem ser herdadas. A chave está nas relações genéticas. A probabilidade de ter uma condição pode aumentar se um familiar de primeiro ou segundo grau (com um parente ou tio) também sofre de doença mental.

As pessoas que têm ansiedade podem perceber o mundo de outra forma.

Um estudo recente descobriu que as pessoas com ansiedade podem ver o mundo de uma forma fundamentalmente diferente graças à uma variação no cérebro. Trata-se apenas da plasticidade do cérebro ou de sua habilidade de mudar e reorganizar a si mesmo ao formar novas conexões.

Indivíduos com ansiedade vivenciaram plasticidade de longa duração por muito depois que um evento com carga emocional tivesse acabado, quer dizer que o cérebro não era capaz de distinguir o novo, situações irrelevantes de algo que é familiar ou sem ameaça. Os seus cérebros basicamente “generalizaram demais” a situação, o que acaba deixando-os mais ansiosos. O mais importante, essa reação não é algo que um indivíduo possa controlar porque teve origem em uma diferença cerebral fundamental.

A esquizofrenia pode ser causada por mutações genéticas.

Esse tipo de doença mental pode se desenvolver antes mesmo da pessoa nascer. Pesquisa da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, mostra que raras mutações genéticas — mudanças que podem acontecer durante o desenvolvimento humano inicial —aparece mais frequentemente em pessoas com esquizofrenia.

Os genes afetados, quando isso ocorre. podem desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento fetal do cérebro, de acordo com as descobertas. Isso sugere que a esquizofrenia é “um distúrbio que pode ser originado durante os primeiros estágios no desenvolvimento cerebral”, de acordo com os autores do estudo

As fobias podem ocorrer por causa de uma resposta incontrolável do cérebro.

As pessoas com fobias paralisadoras, como medo de voar ou até de interações sociais, podem sofrer disso por causa de uma amídala hiperativa, a região do cérebro responsável pelas respostas emocionais. Indivíduos com uma amígdala hiperativa podem também vivenciar uma resposta intensificada de medo, que pode levar a um aumento da ansiedade em situações particulares, de acordo com a Clínica Mayo, nos Estados Unidos.

A ansiedade social pode ser o resultado de altos níveis de serotonina.

Um estudo de 2015 descobriu que indivíduos com transtorno de ansiedade social podem produzirserotonina em excesso, a substância química cerebral responsável pelo “sentir-se bem” que ajuda a enviar mensagens de uma área do cérebro para outra. Os pesquisadores da Universidade Uppsala na Suécia observaram o escâner cerebral de pessoas com fobia social e encontraram que quanto mais a amígdala produzia essa substância química, mais ansioso esses indivíduos se sentiam em situações sociais.

Ninguém pede para ter uma doença mental.

Afinal, as condições de saúde mental não são algo que a maioria das pessoas estejam dispostas a assumir. Você acha que alguém quer ter a experiência de uma doença mental? Resposta: Não.

Se você está sofrendo com um problema mental, existem várias maneiras de lidar com a sua condição por meio de tratamentos. Fale com um médico sobre qual seria o método mais recomendado para você. Você pode até não conseguir “controlar” o fato de ter uma doença mental — mas você pode controlar a forma com a qual decide tratá-la. Você merece ser feliz e saudável.

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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