MULHERES
05/04/2016 15:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Casa de Dalva Borges, diarista e moradora da Vila Matilde em São Paulo, estará em Bienal de Arquitetura de Veneza

A casa de Dalva Borges, diarista e moradora do bairro Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo, foi escalada com outros 14 projetos para o pavilhão brasileiro na Bienal de Arquitetura de Veneza em maio de 2016.

dalva


Este projeto foi escolhido para a Bienal pelo arquiteto Washington Fajardo, que é o representante brasileiro deste ano em Veneza. Em entrevista à Folha de S. Paulo, ele disse que viu na casinha de Dalva um “exemplo de obra em pequena escala que aponta uma possibilidade de construção mais orgânica, um desenho inspirado pela energia de mudar a realidade".

Para o Fajardo, esta é a grande intenção da mostra: valorizar a arquitetura que se preocupa em solucionar problemas em vez de focar em projetos egocêntricos. "É o desenho em serviço das pessoas", disse. "A gente precisa acabar com essa tradição do arquiteto acima da sociedade e com o fetiche pelo objeto arquitetônico."


Dalva é uma senhora de 74 anos que mora neste mesmo lugar há mais de 30 anos. Sua casa, no entanto, nem sempre foi este ícone modernoso para nenhum hipster botar defeito.

dalva


Em 2013, depois de dois anos sem saber o que fazer com sua casa – que tinha sérios problemas estruturais e de insalubridade --, o teto de seu quarto desabou sobre sua cama e quase feriu Dalva. Foi a gota d'água.

Depois deste incidente, o filho da diarista, Marcelo Borges, procurou o escritório de arquitetura Terra e Tuma. Ele queria um projeto que coubesse no orçamento das economias de sua mãe. E deu certo!

Os arquitetos Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano transformaram o pequeno lote de 4,8 metros por 25 metros em um recanto cheio de charme.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Terra disse que o “o desenho nasce dessas circunstâncias, um lote estreito e um programa simples”.

Veja mais fotos da casa de Dalva:

dalva

dalva

dalva

LEIA MAIS:

- Zaha Hadid: A arquitetura perde sua mulher mais incrível

- 'As cidades não são nada se a cultura não puder ser criada e incentivada', diz o 'anarquiteto' Rohan Shivkumar

- O patrimonialismo e as leis facultativas: o caso da cota de solidariedade em São Paulo